Aulas de Giriraj Swami em Português

A Fé de Srila Prabhupada no Santo Nome

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prabhupada 1

 

Uma palestra dada por Giriraj Swami num retiro de japa a 9 de Abril de 2009 no Palácio de Srila Prabhupada, Nova Vrindaban, Virginia Ocidental.

Enquanto cantávamos, olhei para a pintura de Srila Prabhupada na parede, pintada a partir de uma fotografia dele de 1966, e pensei em como ele tinha vindo ao mundo ocidental para nos dar o santo nome. Veio, seguindo a instrucção de seu mestre espiritual, com plena fé no santo nome, pensando que, se as pessoas como nós , simplesmente cantassem o santo nome tudo o resto surgiria.

Srila Prabhupada tinha um irmão espiritual que se chamava Niskincana Krsnadasa Babaji, que Prabhupada dizia ser um paramahamsa, uma alma liberada. Babaji Maharaja aproximou-se a outro irmão espiritual de Prabhupada,  que tinha sido enviado por Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura para pregar na Inglaterra , mas que não tinha tido muito êxito e que finalmente tinha regressado à India, e disse-lhe, “Tu foste para o Ocidente, e Swami Maharaja [Bhaktivedanta Swami—porque os discípulos de Srila Bhaktisiddhanta também se referem a seu guru maharaja como “Srila Prabhupada”] foi para o Ocidente. Tu expuseste os ensinamentos  do Senhor Caitanya e Swami Maharaja expôs os ensinamentos do Senhor Caitanya. Tu deste a conhecer o Hare Krsna maha-mantra e Swami Maharaja deu a conhecer o Hare Krsna maha-mantra. Entretanto Swami Maharaja teve um êxito espectacular e os teus resultados foram insignificantes. Qual é a razão?” Então o próprio Babaji Maharaja deu a resposta: “Porque Swami Maharaja tinha fé plena no santo nome de Krsna e tu não.”

Esta é uma afirmação muito forte e um ponto extremamente significativo. Prabhupada tinha fé plena no santo nome e com essa convicção veio para o Ocidente, deu-nos o santo nome e animou-nos a cantar.

Há uns anos atrás, outro irmão spiritual, Dr Oudh Bihari Lal (O. B. L.) Kapoor, inciado com o nome  Adi Kesava dasa, tinha-se encontrado com Prabhupada em Mathura. No asrama de grhastha Srila Prabhupada tinha sido um quimico ou farmacêutico. O Dr. Kapoor perguntou-lhe, “Tu és um farmacêutico; conheces muitas fórmulas. Sabes qual é a fórmula para desenvolver amor a Deus?” Srila Prabhupada respondeu, “Sim, sei qual é.” [risos] Dr. Kapoor retorquiu, “Podes dizer-me qual é?”  Prabhupada disse, “Sim. Trnad api su-nicena, taror iva sahisnuna/ amanina mana-dena, kirtaniyah sada harih.” A fé de Srila Prabhupada no santo nome existia desde o começo. Serviu de base à sua viagem para o Ocidente, no seu serviço ao seu mestre espiritual e a todos nós.

Em Mathura, na cerimónia de sannyasa de Srila Prabhupada e enquanto o sacerdote conduzia o fogo de sacrificio e recitava vários mantras, Krsnadasa Babaji cantava o santo nome. Ele saboreava verdadeiramente o santo nome. Numa noite, em Ekadasi, Sua Santidade Bhakti Bhrnga Govinda Swami levou-me até ele. Estava sentado num pátio de um asram onde estava muito escuro—talvez houvesse uma luz muito ténue vinda de uma lâmpada num canto—e ali estava ele a recitar japa e a saborear. Podia-se perceber que ele estava a degustar, a saborear. Na verdade, estava a beber o néctar do santo nome. Então, durante um interlúdio na cerimónia, Krsna Dasa Babaji liderava o kirtana , e quando chegou o momento de encerrar a cerimónia com a recitação de mantras, o sacerdote gesticulou em direcção a ele e disse-lhe, “ Podes acabar agora o kirtana.” Mas quando o sacerdote se concentrou de novo na cerimónia, Prabhupada acenou discretamente a Babaji Maharaja e disse, “Continua a cantar. Continua a cantar.” [risos] Babaji Maharaja, enquanto contava esta história, comentou, “Nesse momento, pude perceber que ele seria o líder do movimento Hare Krsna.” Srila Prabhupada tinha essa fé profunda.

Logo depois de me ter unido ao templo de Boston, os devotos enfrentaram-se com uma crise financeira. Nessa altura não se fazia regularmente hari-nama-sankirtana, nem se distribuiam livros na rua. Só haviam programas vespertinos no templo às segundas, quartas e sextas feiras e a festa de confraternização aos Domingos da parte de tarde. Prabhupada tinha dito aos devotos que, se necessário, poderiam arranjar empregos. Satsvarupa dasa, o presidente do templo, era um assistente social e o seu ordenado da assistência social, era o única receita que o templo tinha. Entretanto, à medida que o departamento de arte se desenvolvia e mais devotos se uniam ao templo, essa receita tornou-se insuficiente.

Os devotos, que eram muito rendidos, reuniram-se e um deles, Patita-pavana, disse que tinha trabalhado nos correios antes de se unir ao movimento e que poderia ir trabalhar para lá. Outro disse que conhecia uma mercearia no fundo da rua e que talvez pudesse conseguir um trabalho nessa loja. Os devotos voluntariaram-se para ajudar de todas as maneiras possiveis. De repente, um devoto chamado Nanda Kishora levantou a sua mão. Ele era muito humilde, aliás como a maior parte dos devotos. Ele citou uma carta de Srila Prabhupada. Todas as cartas de Srila Prabhupada eram aceites como documentos importantes, instrutivos para todos. Sempre que chegava uma carta, todos os devotos se reuniam e o destinatário abria-a e lia-a,  e todos os outros escutavam. Portanto Nanda-Kisora citou uma carta de Srila Prabhupada: “Se sairem em sankirtana todos os vossos problemas serão resolvidos—espiritualmente e materialmente.” Todos concordaram; “Sim, isso é o que devemos fazer.”

No dia seguinte fomos para as ruas cantar—nem sequer tínhamos BTGs para distribuir—e pedíamos doacções às pessoas. Voltámos, contámos o laksmi e vimos que tínhamos amealhado sete dólares. Nessa altura sete dólares era algo substancial. O processo pareceu promissor e decidimos fazer o mesmo no seguinte dia. Saímos à rua, fizemos a mesma coisa, talvez com mais entusiasmo e convicção, regressámos e contámos o laksmi: doze dólares. Pensei, “Isto está a ficar interessante. O que Prabhupada disse é verdade.” Saímos no terceiro dia, regressámos e contámos dezanove dólares.  Então, ficámos sem dúvida alguma de que o que Prabhupada tinha dito era verdade. E começámos a sair todos os dias. “Se cantarem Hare Krsna, todos os vossos problemas serão resolvidos—materialmente e espiritualmente.” Srila Prabhupada tinha essa fé.

Eventualmente mudámo-nos da pequena lojinha do número 95 na Avenida Glenville para uma mansão bastante grande na Rua North Beacon no número 40. Era a primeira propriedade que pertencia à ISKCON, a primeira que os devotos compraram. Srila Prabhupada estava muito entusiasmado e disse que a imprensa deveria mudar de Nova York para Boston. Os devotos começaram a imprimir os livros de Prabhupada e um dos primeiros foi o Fácil Viagem a Outros Planetas. Ele dirigiu todos os aspectos das publicações inclusivé a apresentação dos livros. Ele dava os títulos aos livros e neste caso especifico instruiu-nos sobre o que queria  para a capa: Numa parte deveria aparecer o universo material—o espaço exterior com as diferentes estrelas e planetas—e na outra parte deveria aparecer o céu espiritual com alguns planetas Vaikuntha e, em grande plano, Goloka Vrndavana com Radha e Krsna. Também queria que houvesse um devoto que estivesse a voar no espaço desde o universo material até ao céu espiritual, com dhoti, kurta, sikha e japa mala. A capa deveria retratar o tema do livro sendo que através da bhakti-yoga, através da recitação de japa, poderemos viajar mais além do universo material até ao céu espiritual, até Goloka Vrndavana. O cantar é o nosso bilhete que nos leva de volta a Deus.  Prabhupada ficou muito satisfeito quando, mais tarde, os devotos lhe mostraram a capa. Então disse, “Sim, através das contas.” [risos] Cantar o santo nome é muito poderoso. Srila Prabhupada tinha essa fé.

Depois fomos para a India e, estando lá, Prabhupada surpreendeu-nos. Iniciámos o hari-namasankirtana, como faziamos no Ocidente, mas eventualmente Prabhupada disse-nos para parar. Disse que não deveríamos fazer muito sankirtana na rua, porque na India os mendigos vão para a rua cantar para pedir dinheiro e ele não queria que as pessoas pensassem que éramos mendigos. Ele introduziu o programa de membros vitalícios, dizendo que tinha sido concebido para que se pudesse distribuir os seus livros. Também animou a execução de programas em grandes pandals (tendas muito grandes), a que chamou “Festivais Hare Krsna.” O primeiro foi realizado em Bombaim e o segundo seria em Calcutá. Nessa altura Calcutá estava a ser agitada pelo partido comunista e por um grupo de jovens comunistas chamados Naxalites, cujo programa era aterrorizar pessoas abastadas. Costumavam raptar os filhos das pessoas ricas e exigir grandes somas de dinheiro. Não era incomum dispararem sobre as pessoas ricas na rua e matarem-nas. Era uma situação infernal e algumas pessoas mais ricas dessa altura fugiram de Calcutá para Delhi, e para outros lugares.

Nesta atmosfera Srila Prabhupada queria que organizassemos um grande programa de pandal e enviou Tamal Krishna Goswami e a mim para lá, desde Bombaim. Antes do programa começar, Prabhupada recebeu uma mensagem, “Foge ou morre.” Parecia um grande drama, mas o autor da carta tinha cortado as letras dum jornal, para que ninguém pudesse detectar quem a tinha escrito, colou-as num papel e enviou-a. No dia anterior ao programa tinha havido uma conferência de imprensa e o humor de muitos jornalistas era agressivo. Um deles desafiou Prabhupada, “Qual é o benefício deste programa de pandal? Poderia gastar o dinheiro ajudando as pessoas pobres.” Prabhupada respondeu, “Qual é o benefício? O benefício será  o de ouvir. As pessoas terão a oportunidade de escutar.” E continuou, “Este arranjo monumental  deriva da escuta.  Fui para o Ocidente falar e alguns jovens escutaram-me, e devido a que me escutaram, vieram para cá para instalar este grande programa.” Sempre destemido, Srila Prabhupada persistia na sua missão.

Havia um costume, neste tipo de programas de pandal,  que o chão fosse quase todo coberto com daris (tapetes indianos), e nos lados houvessem cadeiras para os convidados. No nosso pandal as cadeiras estavam reservadas para  os VIPs que tinham sido convidados,  para os membros vitalícios e para todos os que tivessem pago uma rupia. Logo na primeira noite, antes do programa começar, um grupo de Naxalites criou um grande tumulto: “Porque é que  algumas pessoas estão sentadas nas cadeiras e outras têm que se sentar no chão? Todo o mundo deve sentar-se no chão.” Estavam à procura de uma oportunidade para começarem uma briga. Enquanto Prabhupada estava no palco com as deidades e os discípulos, estes Naxalites começaram a gritar e a perturbar de uma forma deliberada. Depois agarraram numas cadeiras e começaram a fazer barulho com elas para acabar com o programa. A atmosfera estava bastante tensa porque estes Naxalites podiam actuar de uma forma inesperada; podiam tornar-se violentos. Não os queríamos agitar ainda mais mas, a menos que parassem, Srila Prabhupada não poderia discursar porque estavam a fazer um grande distúrbio.

Olhávamos todos para Srila Prabhupada—Que é que fazemos? De repente ele inclinou-se para o microfone, e…começou a cantar: “Govindam adi-purusam tam aham bhajami.” Cantou as orações Govindam e de alguma maneira a perturbação chegou ao fim com os jovens a colocarem as cadeiras no chão e a sairem silenciosamente. Pareceu um milagre.

O seguinte programa de pandal foi em Delhi e estando aí, Srila Prabhupada foi convidado para ir a Madras mas já tinha planeado levar os seus discípulos pela primeira vez a Vrndavana. Contudo, ele queria que alguém fosse a Madras, mas ninguém queria ir porque preferiam ir com Prabhupada a Vrndavana. De alguma maneira tive a ideia que o segredo da Consciência de Krsna  estava em seguir a ordem do mestre espiritual e satisfazê-lo, por isso, voluntariei-me.

Em Madras, estive a maior parte do tempo sózinho. Pedia ajuda regularmente, mas era difícil conseguir que os devotos viessem. Nessa altura uma canção tornou-se moda. Nos seus significados, Srila Prabhupada menciona algumas canções de cinema, que são as mais populares na India. O refrão desta canção em particular (e não me lembro de todos as palavras) era “Dam maro dam . . . Hare Krsna Hare Rama. Hare Krsna Hare Rama. Hare Krsna Hare Rama.” Nessa altura, em Madras, não tínhamos nenhum centro por isso ficavamos na casa de diferentes pessoas. Como escutava regularmente esta canção acabei por perguntar ao meu anfitrião qual era a sua tradução. Fiquei sem saber se ele tinha compreendido mal a minha pergunta ou se estava a ser polido mas o que me disse foi, “Por cada respiração, Hare Krsna Hare Rama”—o que parecia muito bonito. [risos] Por algum tempo, ficámos com a impressão que esse era o significado da canção mas,a seu devido tempo, soubemos qual era o verdadeiro significado: “Por cada “passa” que dou, Hare Krsna Hare Rama.”

De Madras fomos para Calcutá, e em Calcutá, o filme que tinha essa canção estava a passar nos cinemas. Na verdade, não sabiamos qual era o conteúdo do filme, mas por essas alturas sempre que o musical ou o filme Hair passava nalgum teatro ou cinema os devotos congregavam-se à frente das salas de espectáculo para fazerem hari-nama-sankirtana e distribuirem livros porque havia uma cena em que se cantava o maha-mantra Hare Krsna completo. Portanto, pensámos, “Oh, o filme Hare Rama Hare Krsna será uma grande oportunidade.” [risos] Então fizemos hari-nama e distribuimos livros no exterior do cinema. Entretanto, quando os espectadores começaram a entrar no cinema pensei, “Vou dar uma vista de olhos só para ficar com uma ideia de que é que o filme trata.” Então, entrei justamente quando o filme estava a começar. Era uma coisa impressionante; um ecrã grande e os amplificadores com o som alto. O filme começou com imagens do oceano, com as ondas do oceano a bater na praia. O narrador com uma voz profunda e ressoante, entoava, “Durante séculos a cultura espiritual da India permaneceu dentro do país, mas um homem. . .”—e mostrava a fotografia de Srila Prabhupada—“levou a cultura espiritual através dos oceanos. Então mostrava o Ratha-yatra de Londres. E, naquele ecrã gigantesco era muito impressionante. Então pensei, “Uau! Isto é incrivel!” Logo a seguir mostrava um grupo de hippies a fumar erva e haxixe e a cantar Hare Krsna Hare Rama. Estavam vestidos tal como os hippies, com rapazes e raparigas misturando-se livremente. Era muito mau—o tema do filme era que Srila Prabhupada estava a degradar a cultura sagrada indiana ao dá-la aos hippies que simplesmente a utilizavam incorrectamente cantando Hare Krsna Hare Rama,  fumando “erva” e fazendo sexo livremente e outras coisas do género.

Foi um golpe baixo. Mais tarde, Srila Prabhupada disse que o governo estava por trás desse filme porque tinham medo que o movimento se tornasse muito popular e queriam que as pessoas não se atraíssem por ele. Os comunistas que estavam no governo também espalharam rumores que pertenciamos à CIA. Foi a mesma situação. Eles sabiam que não eramos da CIA mas espalharam esses rumores porque queriam que as pessoas não adoptassem a consciência de Krsna. Pensavam que a vida espiritual mantinha as pessoas apáticas. Mas na realidade eram eles, que queriam manter as pessoas apáticas. Entretanto, alguns amigos sugeriram que fizessemos uma queixa em tribunal contra Dev Ananda, porque tinha sido ele que tinha escrito, dirigido e actuado no filme. Naquela altura ele era uma grande estrela de cinema e o filme estava completamente identificado com ele. Então um bem-querente perguntou a Srila Prabhupada, “O senhor conhece Dev Anand?” Srila Prabhupada respondeu, “Sim, e eu urino na cara dele.” [risos]

Agora voltamos ao mesmo ponto—a fé de Srila Prabhupada no santo nome.

Prabhupada disse, “A longo prazo este filme vai ajudar-nos porque eventualmente as pessoas esquecerão o dam maro dam e só se lembrarão de Hare Krsna Hare Rama.” E foi o que aconteceu. De Calcutá fui para Bombaim e especialmente os meninos da rua—existem tantos meninos da rua que  ficam nas esquinas a mendigar ou a vender revistas—sempre que nos viam,  cercavam-nos,  punham as mãos junto  à boca como se estivessem a fumar haxixe e cantavam, gozando connosco, “Dam maro dam, dam maro dam . . .” A maior parte das vezes nem chegavam a cantar “Hare Krsna Hare Rama”—só “Dam maro dam.” Era uma praga. Onde quer que fossemos estes pequeninos rodeavam-nos e gozavam connosco: “Dam maro dam.

Esta situação difícil continuou por algum tempo mais. Então, provavelmente depois de uma ano após a música ter surgido—e era extremamente popular—o ênfase mudou. As duas partes—a “Dam maro dam” e a “Hare Krsna Hare Rama”—tornaram-se iguais. Eventualmente, tal como Srila Prabhupada tinha predito, a “Dam maro dam” foi completamente esquecida. Era uma vibração sonora mundana e não tinha nenhum atractivo mas o Hare Krsna Hare Rama era transcendental e sempre fresco. Depois de se terem esquecido do “Dam maro dam” quando  nos viam, as pessoas riam-se e diziam, “Hare Krsna Hare Rama.” E isso aconteceu realmente.

Pouco tempo depois Srila Prabhupada assumiu o projecto de Juhu e essa é toda uma outra história. Depois da primeira estadia e programa de Srila Prabhupada, e enquanto ele e os devotos esperavam na sala reservada aos VIPs no aeoroporto, escutava-se um kirtana tumultuoso com canto e dança extáticos. Prabhupada disse, “Se continuarem a ter kirtanas como este, o nosso projecto será um êxito.”

Mais tarde, alguns devotos imprimiram selos como os dos correios (sem valor postal) com uma fotografia de Radha-Krsna e as palavras Hare Krsna, para serem coladas nos envelopes. Srila Prabhupada escreveu-me, “Estas duas palavras `Hare Krsna,` devem aparecer em todo o lado.”

Noutra altura, Srila Prabhupada estava no terraço de um dos edifícios antigos de habitação que já existiam quando os devotos compraram a propriedade, e um devoto chamado Haridasa  abanicava-o. Às sete horas Prabhupada olhou para o seu relógio e disse, “Haridasa, estás a ouvir o som de kirtana vindo do templo?” Haridasa esforçou-se por ouvir mas não ouviu nada. “Não Srila Prabhupada.” “Não estás a ouvir o som do kirtana vindo do templo?” “Não.” “Essa é a questão,” disse Srila Prabhupada. “Não há kirtana no templo e deveria haver.” Então perguntou a Haridasa, “Onde estão todos os  devotos?”  Haridasa sugeriu que deveriam estar na cidade a coletar e que ainda não teriam regressado. Prabhupada disse, “Essa não era a minha intenção, que os devotos saíssem a colectar todo o dia e noite. Podem sair às nove e voltarem às cinco e depois cantar e dançar diante das deidades. De outro modo tornar-se-ão como os karmis.

De seguida perguntou a Haridasa, “Sabes qual a razão de termos tido êxito e o Sr. Nair não? Nair estava bem estabelecido em Bombaim, enquanto nós eramos completamente novos. Ele era muito rico enquanto nós não tinhamos dinheiro nem receitas regulares. Sendo propietário do Free Press Journal, um dos três jornais diários em Bombaim, e antigo presidente da Câmara, ele conhecia muitas pessoas e era muito influente, enquanto nós não conhecíamos quase ninguém e não tínhamos práticamente nenhuma influência. Mas nós triunfámos e ele não. Porquê?” Então Srila Prabhupada deu a resposta: “Nós actuávamos para agradar a Krsna e ele, para o seu ganho pessoal. E porque tentámos satisfazer a Krsna, Krsna misericordiosamente reciprocou e triunfámos—por Sua graça.

 “Portanto, quando os devotos chegam, devem cantar e dançar diante das Deidades, para o Seu prazer. Ao agradarmos as Deidades, pela misericórdia d´Elas, pela misericórdia de Krsna, triunfaremos—não através da nossa força e esforço independentes.” Realmente, Srila Prabhupada tinha essa fé em Krsna, no santo nome, nas Deidades—que se cantarmos sinceramente para agradar Krsna, Krsna ficará satisfeito e triunfaremos.

O ultimo episódio que contarei, aconteceu no final quando Srila Prabhupada  já estava bastante doente, em 1977. Srila Prabhupada tinha um devoto fiel, Sri P. L. Sethi—assim como Hanuman está para Rama ele estava para Prabhupada. Ele era completamente dedicado e tinha muita fé. Antes de se  encontrar com Prabhupada estava associado a um grupo que se chamava Radha Madhava Prema Sudha Sankirtana Mandala. Eles cantavam o maha-mantra Hare Krsna e o guru deles vivia em Vrndavana. Aqueles que viviam em Bombaim eram todos casados. A cada Domingo faziam um akhanda-hari-nama-sankirtana de doze horas, um kirtana contínuo e sem paragens desde as seis da manhã até às seis da tarde, seguido de duas horas de canções de Vraja.

Então o Sr. Sethi deu a sugestão de em vez de fazer o kirtana na casa de um dos devotos, como   era costume, porque não fazê-lo em Hare Krsna Land. Fizemos então o arranjo diante das Deidades no templo pequeno, ao lado do novo complexo que estava nos  últimos pormenores de finalização, justamente debaixo das acomodações novas de Srila Prabhupada. Apesar da construção ainda não estar acabada e o elevador não funcionar Srila Prabhupada insistiu em ficar lá. Doente como estava,  escutava o kirtana ora reclinado ora deitado. Estes devotos que estavam no templo queriam vê-lo mas eram muitos e Srila Prabhupada não estava com forças para descer e também seria uma grande imposição encontrar-se com todos eles.

A uma certa altura ficaram tão impacientes que sairam do templo e fizeram o kirtana debaixo da varanda de Prabhupada. Finalmente o Sr Sethi ajudou Prabhupada a caminhar até à varanda e Prabhupada lançou o olhar sobre eles.  Estavam em êxtase. Ficou lá por algum tempo e depois voltou para dentro. Um dos pontos altos aconteceu quando uma senhora começou a cantar, “Jaya radhe jaya radhe radhe, jaya radhe jaya sri radhe. Jaya krsna . . .” Mais tarde o Sr. Sethi informou-nos que enquanto Srila Prabhupada escutava aquela canção, lágrimas rolavam pela sua cara.

No dia seguinte subi para ver Srila Prabhupada. “Aquele kirtana foi maravilhoso,” disse ele. “Devemos convidar a todo o grupo para que venham viver connosco em Hare Krsna Land. Diz a todos que cuidaremos deles. Não precisam de trabalhar. A única coisa que têm que fazer é kirtana continuo.” Fiquei sem saber o que fazer. [risos]Então ele disse, “Pelo menos os nossos devotos devem fazer kirtana doze horas ao dia; das seis da manhã até às seis da tarde.” Tínhamos sido instruídos por Srila Prabhupada no sentido de servir e expandir a missão e em Juhu estavamos verdadeiramente atarefados na finalização do templo e nas preparações para a abertura oficial. Não conseguia imaginar os devotos cantando doze horas cada dia no templo. Por isso, disse, “Srila Prabhupada temos tanto serviço para fazer. Como podemos fazer tudo isso?” Então Prabhupada disse, “Está bem, mas pelo menos uma vez por semana, aos Domingos.” Quando Prabhupada falou daquela maneira eu disse, “Sim,” porque me senti aliviado—só um dia, doze horas. Mais tarde, Tamal Krishna Goswami comentou que Srila Prabhupada tinha feito um regateio transcendental. Se ele tivesse começado com, “Doze horas cada Domingo,” poderíamos ter argumentado, “Oh, isso é muito. Talvez quatro horas.” Mas como ele começou com doze horas cada dia e sete dias na semana, quando finalmente disse doze horas, um dia à semana, ficámos aliviados. “Oh sim, isso podemos fazer .” [risos]

A partir daí fazíamos um kirtana contínuo de doze horas. E acontecia justamente o que Prabhupada tinha dito—que todos os problemas seriam resolvidos, materialmente e espiritualmente. Eu era o presidente do templo e tinha que lidar com muitos problemas. Tinhamos que construir o complexo do templo, tratar com as autoridades civis, organizar os programas do templo, cuidar dos devotos e também sobreviver na India, com todas as doenças e dificuldades. Quando os devotos se aproximavam de mim na Segunda, Terça e por vezes na Quarta-feira, eu tratava dos problemas. Mas quando chegava a Quinta-feira, já estávamos nas proximidades do hari-nama de doze horas e sabia—e aconteceu sempre, sem falhar—todos os problemas seriam resolvidos. Ou o problema se resolvia automáticamente ou então o devoto realizava que o suposto problema não era verdadeiramente um problema ou então tinha alguma compreensão ou inspiração de como lidar com ele. Portanto, a partir de Quinta-feira costumava dizer, “Está bem, dá-me uns dias para pensar sobre o tema,” [risos]mas eu sabia, “Vamos esperar até Domingo—faremos o kirtana de doze horas—e o assunto ficará resolvido.” E acontecia constantemente. Era verdadeiramente maravilhoso.  Esse era o sentimento e convicção de Srila Prabhupada. Desta maneira, devemos entregar-nos plenamente ao processo, satisfazer a Krsna através do nosso cantar. Na verdade, qualquer coisa que façamos deve estar impregnado com o sentimento de satisfazer ao guru e a Krsna.

Por isso, se cantamos Hare Krsna sinceramente, Krsna fica satisfeito, e através da Sua satisfação e misericórdia seremos bem sucedidos em todos os aspectos. Desde o inicio eu pensava, “Prabhupada está a escutar o meu canto, por isso, devo cantar bem para que ele fique satisfeito.” Na equipa de Radha-Damodara, Visnujana tinha uma fotografia muito grande com a orelha de Srila Prabhupada e ele cantava com essa ideia que Srila Prabhupada escutava o canto do seu japa; ele cantava para satisfazer a Srila Prabhupada. Por isso, todos estes temas vão de mãos dadas: serviço ao guru, serviço ao santo nome, cantar o santo nome, satisfazer a Krsna, satisfazer a Srila Prabhupada e ser bem sucedido—materialmente e espiritualmente.

Hare Krsna.

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Written by nityananda108

Agosto 14, 2009 às 10:20 am

Publicado em Uncategorized

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