Aulas de Giriraj Swami em Português

Gita Jayanti

leave a comment »

ka1_163 

Instruções para a Nossa Vida-do Bhagavad-gita
Uma palestra dada por Giriraj Swami
Gita Jayanti
Dezembro 20, 2007
Juhu, Mumbai

 

Hoje é a data auspiciosa do Gita Jayanti, o dia em que o Senhor Krsna falou
o Bhagavad-gita a Arjuna no campo de batalha de Kuruksetra, no dia de
Moksada Ekadasi. Para começar, leremos dois versos do Gita que nos darão
algumas instruções para as nossas vidas.

Lemos do Bhagavad-gita Tal Como Ele É, Capítulo Nove: “O Conhecimento Mais
Confidencial.”

VERSO 30

api cet su-duracaro
bhajate mam ananya-bhak
sadhur eva sa mantavyah
samyag vyavasito hi sah

SINÓNIMOS

api-mesmo; cet-se; su-duracarah-uma pessoa que cometa as acções mais
abomináveis; bhajate-está ocupada em service devocional; mam-a Mim;
ananya-bhak-sem desvio; sadhuh-um santo; eva-decerto; sah-ele;
mantavyah-deve ser considerado; samyak-completamente; vyavasitah-situado em
determinação; hi-decerto; sah-ele.

TRADUÇÃO

Mesmo que alguém cometa as acções mais abomináveis, se estiver ocupado no
serviço devocional, deve ser considerado santo, porque está devidamente
situado em sua determinação.

SIGNIFICADO por Srila Prabhupada

A palavra su-duracara usada neste versoé muito significativa e devemos
compreendê-la apropriadamente. Quando é condicionada,  a entidade viva tem
duas espécies de actividades: uma é condicional e a outra, constitucional.
Quanto à protecção do corpo ou ao acatamento às leis da sociedade e do
Estado, concerteza há diferentes actividades relativas à vida condicional,
mesmo para os devotos, e essas actividades chamam-se condicionais. Além
destas, a entidade viva que está plenamente consciente de sua natureza
espiritual e se ocupa em consciência de Krsna, ou no serviço devocional ao
Senhor, realiza actividades que se denominam transcendentais. Essas
actividades são executadas em sua posição constitucional, e chamam-se
tecnicamente serviço devocional.

COMENTÁRIO por Giriraj Swami

Aqui Srila Prabhupada explica, seguindo a ideia de Srila Bhaktivinoda
Thakura, que os devotos ao viverem neste mundo material, também devem levar
a cabo actividades relacionadas com a existência material, nomeadamente em
relação com a sociedade, governo, etc. Tais actividades não podem ser
evitadas porque estamos neste mundo material. Temos que viver em sociedade,
viver num determinado país. No grhastha-asrama tem que se ter um trabalho,
pagar impostos. Tem que se fazer muitas coisas, que são executadas no mundo
material. Quando formos para o mundo espiritual não precisamos de ir para um
escritório,  pagar os impostos ou executar funções sociais.

E existem actividades que começam com sravanam kirtanam visnoh smaranam que
são executadas tanto aqui como no mundo espiritual. Ouvimos acerca de Krsna.
Cantamos sobre Krsna e lembramos-nos de Krsna. Quando formos para o mundo
espiritual ocupar-nos-emos nessas mesmas actividades.

Srila Prabhupada continua:

SIGNIFICADO (continuação)

Acontece que, no estado condicionado, às vezes o serviço devocional e o
serviço condicionado ao corpo andam lado a lado. Mas nesse caso também, às
vezes essas actividades opõem-se umas às outras. Na medida do possivel, o
devoto tem muita cautela em não fazer nada que possa abalar a sua condição
saudável.

COMENTÁRIO

Por exemplo, uma pessoa está ocupada num tipo particular de trabalho, nalgum
negócio, e para cumprir com o seu negócio tem que se associar com
não-devotos. No sastra, a associação com os não-devotos é desencorajada e a
associação intima com eles é proibida. Entretanto,  devido a que ela tem que
ganhar a sua vida,  tem que se associar com todo o tipo de pessoas e essa
associação contamina. Isto é para dar um exemplo de quando as actividades
condicionais são opostas às constitucionais. Se a pessoa é afortunada, o seu
trabalho será executado na associação dos devotos. Na verdade, Srila
Prabhupada animava os devotos a abrirem negócios onde pudessem ocupar outros
devotos, para que não tivessem que se associar extensivamente com os
não-devotos. Melhor do que isso é viver numa comunidade auto-suficiente de
devotos. Assim, não temos que ir em absoluto, para um escritório ou para uma
loja. Não precisamos de interagir muito com o mundo material. Produzimos o
nosso alimento, protegemos as vacas, obtemos o leite e deste modo dependemos
da natureza e das vacas. Não precisamos de nos envolver com a civilização
materialista.

Por vezes, as actividades condicionais vão paralelas às actividades
constitucionais e por vezes são opostas, e o devoto é muito cauteloso em não
fazer nada que abale a sua condição saudável. Por outras palavras, ele é
consciente que tem que interagir, no decurso de seu trabalho e de uma forma
ou de outra, com pessoas materialistas mas é muito cuidadoso em não se
relacionar mais além de um certo limite , porque se o ultrapassa, a
associação dessas pessoas afectará a sua consciência de Krsna e abalará a
sua condição saudável.

SIGNIFICADO (continuação)

Ele sabe que a perfeição das suas actividades depende da sua progressiva
realização na consciência de Krsna. Entretanto, às vezes pode-se ver que um
devoto consciente de Krsna comete algum acto que social ou politicamente é
tido como abominável. Mas essa queda passageira não o desqualifica. No
Srimad-Bhagavatam, afirma-se que se alguém cai mas está sinceramente ocupado
no serviço transcendental ao Senhor Supremo, o Senhor, estando situado em
seu coração, purifica-o e perdoa tal abominação. A contaminação material é
tão forte que mesmo um yogi plenamente ocupado no serviço do Senhor às vezes
cai na armadilha. Porém, a consciência de Krsna é tão forte que essa queda
ocasional é corrigida de imediato. Por isso, o processo do serviço
devocional é sempre um sucesso. Ninguém deve zombar de um devoto que
acidentalmente se afastou do caminho ideal, pois, como se explica no próximo
verso, essas quedas ocasionais cessarão no seu devido tempo, logo que ele se
situar em completa consciência de Krsna.

COMENTÁRIO

Estes dois versos dão-nos dois tipos de instruções-a primeira é sobre o que
acontece com o devoto que cai e a outra é sobre como os outros devem ver o
devoto que cai.

Se o devoto que cai está plenamente ocupado em serviço devocional…
Qual o significado de “plenamente ocupado”? Já dissemos que enquanto o
devoto está no mundo material, tem que executar algumas actividades
condicionais, caso contrário estaria plenamente ocupado em serviço
devocional. Ele utiliza o tempo dsponível para cantar e escutar sobre Krsna,
lembrar-se d´Ele e servi-Lo de diferentes maneiras. Tal pessoa deve ser
considerada santa mesmo que tenha uma queda. Geralmente a queda involve o
deslize para a actividade pecaminosa. Entretanto zombar de um devoto aparece
noutra categoria que é pior que o pecado. Aparece na categoria de aparadha,
vaisnava-aparadha. Vaisnava-aparadha é muito pior que a queda na actividade
pecaminosa e por tais ofensas o nosso serviço devocional pode ser
severamente perturbado.

Vemos uma falta num devoto e escarnecemos  dele. Falamos dele ou dela de uma
forma negativa. Tais actos caem na categoria de nama-aparadha, sadhu-ninda,
vaisnava-aparadha. Isso é muito mais sério e prejudicial que um deslize na
gratificação dos sentidos. Podemos pensar que somos superiores-“Oh, esse
devoto caiu na gratificação dos sentidos, fracassou em dar o bom exemplo”-e
criticar o devoto, mas essa critica ao devoto pode ser mais séria que o
fracasso do devoto em actuar apropriadamente. E constantemente incorremos na
mesma critica. Por isso não fazemos muito progresso. Constantemente
encontramos defeitos nos devotos, criticamos os devotos, por isso, apesar de
cantarmos as voltas, de lermos o Bhagavad-gita, de irmos ao templo, de
fazermos serviço, porque depreciamos constantemente os devotos, mesmo que
casualmente-até pode ser que o façamos sem estar conscientes-não
progredimos. Pode até acontecer perdermos a nossa posição em serviço
devocional. Portanto, esta é uma lição muito importante do Srimad
Bhagavad-gita.

SIGNIFICADO (continuação)

Portanto, quem está  em consciência de Krsna e se ocupa com determinação no
processo de cantar Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare, Hare
Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare deve ser considerado como estando na
posição transcendental, mesmo que ele pareça ter caído por acaso ou
acidentalmente. As palavras sadhur eva “ele é santo” são muito enfáticas.
Elas são uma advertência aos não-devotos .  .  .

COMENTÁRIO

É normal que os não-devotos zombem dos devotos. Mas os verdadeiros devotos,
os verdadeiros Vaisnavas, apreciam os outros devotos mesmo que esses
devotos, casualmente, dêem um passo em falso. Infelizmente os devotos
neófitos têm algumas caracteristicas em comum com os não-devotos, por isso,
por vezes também criticam. Mas é normal que os não-devotos façam isso, por
isso Srila Prabhupada explica que este aviso é para eles.

SIGNIFICADO (continuação)

Elas são uma advertência aos não-devotos, para que não zombem de um devoto
por ter tido uma queda acidental; ele ainda deve ser considerado santo,
mesmo que tenha acidentalmente caído.

COMENTÁRIO

Esta expressão, “devoto neófito” é frequentemente expressa em sânscrito como
bhakta-praya, “quase um devoto,” porque os neófitos estão na plataforma
material. Eles cantam e tentam progredir, mas porque estão na plataforma
material não são considerados, no sentido estrito da palavra, verdadeiros
devotos. A partir da minha perspectiva, sendo um devoto introspectivo,
quando leio estas coisas devo pensar, “Oh, sou como um não devoto.” Mas os
outros, desde a sua perspectiva, não devem cair nessa noção de “eles são
bhakta-prayas, quase devotos; não são verdadeiros devotos, por isso posso
criticá-los,” porque os neófitos, apesar de estarem mais ou menos na
plataforma material, se estão ocupados no processo da bhakti-yoga, entram na
categoria de sadhu. Devem ser considerados santos. Ridicularizá-los é uma
ofensa. Por isso, devemos ser cautelosos.

Internamente, devemos sentir que não somos devotos. É irónico, mas são os
neófitos que pensam que são devotos, bons devotos; e são os devotos
avançados que sentem que não são devotos. Tomemos o exemplo de Caitanya
Mahaprabhu. Ele disse que não tinha nem sequer uma gota de amor por Krsna.
Ele chorava de dia e de noite por Krsna, com o sentimento de Radharani em
separação de Krsna, mas dizia, ” Não tenho nenhuma gota de amor por Krsna.”
“Porquê? Estás sempre a chorar por Krsna.” “Isso é só uma exibição, para
impressionar os outros. Se realmente eu tivesse amor por Krsna não
continuaria a viver. O facto de Eu viver sem Ele, prova que não tenho amor
por Ele.” Portanto, quando alguém está no estágio mais elevado,
maha-bhagavata-claro está que Caitanya Mahaprabhu era mais que isso-ele
sente que não é um devoto e vê que todos os outros são devotos. E o neófito
pensa, “Oh, eu sou um devoto. Os outros, não são verdadeiramente devotos.”
Eles pensam que são devotos e que os outros não  são. Pensam que estão a
seguir o processo adequadamente, enquanto que os outros não. Temos que
ultrapassar este estágio. Para tal temos as instruções do Bhagavad-gita que
servem para elevar-nos.

SIGNIFICADO (continuação)

Elas são uma advertência aos não-devotos, para que não zombem de um devoto
por ter tido uma queda acidental; ele ainda deve ser considerado santo,
mesmo que tenha acidentalmente caído. E a palvra mantavyah dá ainda maior
ênfase. Se a pessoa não seguir esta regra e zombar da queda acidental do
devoto, então, estará desobedecendo à ordem do Senhor Supremo. A única
qualificação do devoto é estar firme e exclusivamente ocupado em serviço
devocional.

COMENTÁRIO

O Sri Caitanya-caritamrta, que tem como base o Srimad-Bhagavatam e o
Bhagavad-gita, enumera as vinte e seis qualidades de um devoto, e uma delas
é krsna-eka-sarana, “rendição exclusiva a Krsna.” Isto é o que o
Bhagavad-gita quer dizer aqui com bhajate mam ananya-bhak, “ocupado em
serviço devocional sem nenhum desvio.” Srila Prabhupada explica no
significado, “A única qualificação de um devoto é estar firme e
exclusivamente ocupado em serviço devocional.” Isso é krsna-eka-sarana. Essa
é a única qualificação. E em relação com as outras vinte e cinco? Mesmo que
ele não tenha as outras vinte e cinco qualidades, se tiver esta qualificação
especifica krsna-eka-sarana, é considerado um devoto. E se alguém tiver as
vinte e cinco mas não tiver esta qualidade de estar única e exclusivamente
ocupado em serviço devocional,  não é considerado um devoto mesmo que tenha
todas as outras qualidades. Por exemplo, uma das qualidades de um devoto é a
humildade mas,  se vemos que um devoto não a tenha não devemos concluir,
“Oh, este devoto não é humilde; esta pessoa não é humilde portanto não é um
devoto.” Se ela está plena e exclusivamente ocupada no serviço do Senhor é
um devoto. Pode ser que ainda não tenha essa qualidade-aparecerá à medida
que pratica o processo-mas se pensarmos, “Oh, ele não é humilde, não me
prestou respeitos. Não é um devoto”,  estamos a cometer uma ofensa.

SIGNIFICADO (continuação)

No Nrsimha Purana, há a seguinte afirmação:

bhagavati ca harav ananya-ceta
bhrsa-malino ‘pi virajate manusyah
na hi sasa-kalusa-cchabih kadacit
timira-parabhavatam upaiti candrah

O significado é que mesmo que alguém ocupado por completo no serviço
devocional do Senhor, às vezes cometa actos abomináveis, tal atitude deve
ser considerada como as manchas da Lua, que se assemelham à forma de um
coelho. Essas manchas não impedem a difusão do luar. Da mesma forma, o facto
de um devoto acidentalmente sair do caminho do carácter santo, não o torna
abominável.

COMENTÁRIO

Podemos ver que a Lua tem umas marcas que parecem ser as de um coelho, mas
ninguém a critica por ter essas marcas. E o luar refrescante e suavizante
não é obstruído pelas marcas. De igual modo, um devoto que esteja plenamente
ocupado no serviço do Senhor em bem-aventurança transcendental, não é
obstruído por uma queda acidental. Teve uma queda, mas continua plenamente
ocupado no serviço do Senhor. E se lhe apontamos faltas, criamos obstáculos
no nosso próprio caminho.

SIGNIFICADO (continuação)

Por outro lado, não se deve interpretar que um devoto em serviço devocional
transcendental pode agir de todas as maneiras abomináveis; este verso
refere-se apenas a um acidente devido ao forte poder das ligações materiais.

COMENTÁRIO

Por outras palavras, se alguém pensa, “Eu sou um devoto-estou a cantar Hare
Krsna-posso fazer qualquer tolice que não vou sofrer a reacção,” essa é
outra ofensa, nama-aparadha, pecar apoiado no cantar (namno balad yasya hi
pap- buddhir). Um devoto pode ter uma queda acidental mas arrepende-se por
isso. Ele arrepende-se fortemente e determina-se a ter mais cuidado no
futuro. E ele faz tudo o que for necessário para se proteger de uma outra
queda. E tal como Srila Prabhupada explica,mesmo assim ele pode cair de
novo.

SIGNIFICADO (conclusão)

O serviço devocional é mais ou menos uma  declaração de guerra contra a
energia ilusória. Enquanto não se for bastante forte para combater a energia
ilusória, poderá haver quedas acidentais. Mas quando o devoto é
suficientemente forte, ele deixa de se sujeitar a essas quedas, como já se
explicou. Ninguém deve aproveitar-se deste verso para cometer tolices e
achar que continua sendo um devoto. Se, com o serviço devocional, ele não
melhorar o seu carácter, então, deve-se entender que ele não é  um devoto
elevado.

COMENTÁRIO

De novo, existem dois pontos de vista. O devoto que tem uma queda deve
arrepender-se e esforçar-se tudo o que puder para se retificar e evitar mais
quedas. E a pessoa que o observa deve ponderar, “Ele é um santo. Está
ocupado em serviço devocional. O próprio Krsna diz que ele deve ser visto
como um sadhu. Se o menosprezo vou contra a instrução de Krsna e arruino a
minha vida espiritual ao ocupar-me em sadhu-ninda. Menosprezá-lo é
sadhu-ninda, nama-aparadha. Isso é pior que cair na gratificação dos
sentidos.”

No significado, Srila Prabhupada refere-se ao seguinte verso, que vamos ler
agora.

VERSO 31

ksipram bhavati dharmatma
sasvac-chantim nigacchati
kaunteya pratijanihi
na me bhaktah pranasyati

TRADUÇÃO

“Ele rapidamente se torna virtuoso e alcança a paz duradoura. Ó filho de
Kunti, declara ousadamente que o Meu devoto jamais perece.”

SIGNIFICADO de Srila Prabhupada

Ninguém deve distorcer o significado disto. No Sétimo Capítulo, o Senhor diz
que quem se ocupa em actividades perversas não pode tornar-se devoto do
Senhor. Quem não é devoto do Senhor não tem boa qualificação de espécie
alguma. Fica, então, a pergunta. Como pode alguém acidental ou
deliberadamente ocupado em actividades abomináveis ser um devoto puro? É
justo que se levante essa questão.

COMENTÁRIO

Agora chegámos à resposta.

SIGNIFICADO (continuação)

Os malfeitores, como foi declarado no Sétimo Capítulo, que nunca ingressam
no serviço devocional ao Senhor, não têm boas qualificações, como se afirma
no Srimad-Bhagavatam.

COMENTÁRIO

Como está explicado no Srimad-Bhagavatam (5.18.12) harav abhaktasya kuto
mahad-guna: alguém que não seja um devoto não tem boas qualidades. Porquê?
Manorathenasati dhavato bahih: está na plataforma mental-não na plataforma
espiritual-e está obrigado a  atraír-se pela energia externa do Senhor. Por
isso pode cair a qualquer momento. Srila Prabhupada comparou os
especuladores mentais-especialmente os Mayavadis-aos abutres. Os abutres
voam muito alto no céu mas ao verem um pedaço de carne podre no chão, descem
rapidamente para a comerem. De igual modo, os Mayavadis podem voar muito
alto nas suas especulações mentais mas logo que têm uma oportunidade para
gratificar os sentidos, descem rapidamente como os abutres. Portanto, a
posição dos não-devotos, dos infiéis, é diferente da dos devotos-mesmo
daqueles que caem.

SIGNIFICADO (continuação)

Em geral, um devoto que esteja ocupado nos nove tipos de actividades
devocionais, dedica-se ao processo que consiste em tirar do coração, toda a
contaminação material. Ele coloca a Suprema Personalidade de Deus dentro do
seu coração, e todas as contaminações são naturalmente eliminadas.

COMENTÁRIO

Como é que ele coloca a Suprema Personalidade de Deus no coração? Através de
sravanam kirtanam visnoh smaranam, cantar e escutar os santos nomes e
glórias do Senhor Krsna. Quando alguém faz isso, Krsna, na forma de som
transcendental entra no coração e limpa-o da contaminação material.

srnvatam sva-kathah krsnah
punya-sravana-kirtanah
hrdy antah stho hy abhadrani
vidhunoti suhrt satam

“Sri Krsna,a Personalidade de Deus, que é o Paramatma [Superalma] nos
corações de todos e o benfeitor do devoto veraz, limpa o desejo,  pelo
desfrute material, do coração do devoto que desenvolveu um desejo ardente
por escutar as Suas mensagens, que por si só são virtuosas quando
apropriadamente escutadas e cantadas.” (SB 1.2.17)

Escutar krsna-katha (srnvatam sva-kathah krsnah) é por si só uma actividade
piedosa (punya-sravana-kirtanah), e por tal escuta e canto, as coisas sujas
(abhadra) dentro do coração são limpas (vidhunoti). O próprio Krsna actua
limpando o coração do devoto ávido que escuta e canta as Suas mensagens.
Ceto-darpana-marjanam. Através do sri-krsna-sankirtana, o canto das glórias
do Senhor Krsna, o pó é limpo do espelho da mente. Este é o processo.

SIGNIFICADO (continuação)

Ele coloca a Suprema Personalidade de Deus dentro de seu coração, e todas as
contaminações são naturalmente eliminadas. O pensamento contínuo no Senhor
Supremo torna-o puro por natureza.

COMENTÁRIO

O nosso processo é este-sravanam kirtanam visnoh smaranam. Essa é também a
consciência de Krsna, pensar sempre em Krsna. Só por pensar em Krsna o
coração fica limpo e a mente é purificada, porque Krsna é plenamente puro.
Ele é tal com o sol; a Sua presença erradica toda a escuridão.

krsna-surya-sama; maya haya andhakara
yahan krsna, tahan nahi mayara adhikara

“Krsna é comparado com o brilho do sol e maya com a escuridão. Onde haja
brilho solar, não pode haver escuridão. Logo que adoptemos a consciência de
Krsna, a escuridão da ilusão (a influência da energia externa) dissipar-se-á
imediatamente.” (Cc Madhya 22.31)

Krsna é a luz, e maya é a escuridão. Onde quer que haja Krsna-o brilho da
consciência de Krsna-não existe maya-nenhuma escuridão. Portanto, não
precisamos de fazer nenhuma tentativa para afastar maya  separadamente. Só
temos que chamar por Krsna e maya ir-se-á embora automáticamente. Quando o
sol se manifesta, a escuridão desaparece automáticamente. Similarmente,
quando o sol do santo nome de Krsna se manifesta, a escuridão das
actividades pecaminosas, os anarthas, e as ofensas desaparecem.

amhah samharad akhilam sakrd
udayad eva sakala-lokasya
taranir iva timira-jaladhim
jayati jagan-mangalam harer nama

“Assim como o aparecer do sol dissipa imediatamente a escuridão do mundo,
que é tão profunda como um oceano, também o santo nome do Senhor, se cantado
uma só vez sem ofensas, dissipa todas as reacções da vida pecaminosa de um
ser vivo. Todas as glórias ao santo nome do Senhor que é auspicioso para o
mundo inteiro.”  (Padyavali 16, citado no Cc Antya 3.181)

SIGNIFICADO (continuação)

Segundo  os Vedas, há uma certa regulação de que, se alguém cai de uma
posição elevada, deve submeter-se a determinados processos ritualisticos
para se purificar.

COMENTÁRIO

Isto é chamado prayascitta-para um determinado pecado existe uma expiação
especifica. Se cometemos um pecado, devemos executar uma expiação que nos
liberta da reacção.

SIGNIFICADO (continuação)

Mas aqui não se impõe esta condição, pois o processo  purificador já está no
coração do devoto, devido à sua constante lembrança da Suprema Personalidade
de Deus.

COMENTÁRIO

Prayascitta, que está na categoria de karma-kanda, é inferior à bhakti-yoga.
Considera-se uma espécie de queda, se um devoto se ocupa nessa actividade
ritualista. O verdadeiro processo de purificação é sravanam kirtanam visnoh
smaranam. Se o devoto cai acidentalmente, só tem que continuar o processo,
que limpa o coração e liberta o devoto de toda a contaminação.

SIGNIFICADO (conclusão)

Portanto, o canto de Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare/ Hare
Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare, deve continuar sem interrupção. Isso
protegerá o devoto de todas as quedas acidentais. Assim, ele permanecerá
perpetuamente livre de todas as contaminações materiais.

COMENTÁRIO

Este é o nosso processo e se o devoto persevera, deve ser considerado santo
(sadhur eva sa mantavyah). Não devemos menosprezá-lo.

Um tópico que está relacionado com este é kutinati, procurar defeitos, que
por vezes é associado a jiva-himsa, inveja de outros seres vivos. A inveja e
o procurar defeitos vão juntos. Somos invejosos de alguém  e então
encontramos defeitos. Procuramos alguma oportunidade para criticar. E a
natureza de toda a alma condicionada é ser invejosa. Na verdade é a inveja
que nos trouxe  a este mundo material e que nos mantém aqui. Por isso a
inveja deve ser abandonada.

Outras coisas, como a luxúria a ira e a cobiça, podem ser utilizadas no
serviço do Senhor mas não a inveja. A inveja tem que ser descartada. Claro
está,  que o processo de escutar e cantar está feito para limpar o coração
da inveja, mas ao mesmo tempo devemos entender que procurar defeitos está
proibido. Apesar de termos um sentimento invejoso, devemos compreeender que
esse é o nosso defeito; o sentir inveja é um defeito nosso. Devemos
ponderar, “A inveja é como um demónio horrivel que entrou no meu coração.
Tenho que o subjugar por todos os meios.” Devemos evitar procurar defeitos
porque é um anartha e pode levar-nos a cometer ofensas.

Por vezes,  não sabemos o que vai realmente no coração de uma outra pessoa,
se a pessoa em causa está errada ou não. Certa vez, quando havia muita
crítica num templo específico, os devotos informaram Srila Prabhupada que
respondeu contando uma história das escrituras sobre um brahmana e uma
prostituta. De um lado da rua vivia um brahmana e do outro uma prostituta. O
brahmana sentava-se sempre de frente para a sua janela com o Bhagavad-gita
e, do outro lado da rua, a prostituta fazia o seu papel de prostituta.
Devido a uma calamidade, o brahmana e a prostituta morreram simultâneamente,
e tanto os Yamadutas quanto os Visnudutas apareceram no local. Os Visnudutas
vieram buscar a alma da prostituta e os Yamadutas vieram buscar a alma do
brahmana. O brahmana protestou, “Alto lá, vocês estão a cometer um erro.
Vocês vieram para levar a prostituta e os Visnudutas vieram para me levar.
Mas os Yamadutas responderam, “Não, não estamos errados. Todo o tempo que
estiveste sentado com o Bhagavad-gita à tua frente, olhavas pela janela para
a casa da prostituta e pensavas, “Oh, agora chegou um cliente. Agora estão a
fazer isto, e agora aquilo.” Dentro da tua mente, pensavas naquilo que ela
estava a fazer e devido à tua consciência estás apto para ser levado diante
de Yamaraja para seres castigado. A prostituta, apesar de estar ocupada na
sua profissão, olhava pela janela e pensava, “Oh, esse brahmana piedoso está
a ler o Bhagavad-gita. Quem me dera poder passar o meu tempo a ler o
Bhagavad-gita. Deste modo ela pensava em Krsna e Arjuna, na batalha de
Kuruksetra e em todas as maravilhosas instruções que Krsna deu a Arjuna e na
relação amororosa que havia entre eles. Devido a  essa consciência ela está
apta para regressar a Deus.”

Srila Prabhupada contou esta história para ilustrar o facto que nem sempre
podemos aperceber-nos daquilo que vai no coração de outra pessoa, só pelas
aparências externas. Portanto, não devemos encontrar defeitos porque não
sabemos qual é a consciência. Há um ditado que explica que se o Senhor
Nityananda entrar numa taberna, devemos entender que vai lá por serviço.
Podemos pensar, “Oh, entrou numa taberna. Os sadhus não entram nas
tabernas.” Mas se Nityananda Prabhu ou o mestre espiritual entram numa
taberna, devemos entender que é com algum propósito, por algum serviço.

Devido a que estamos em Kali-yuga e as pessoas são caídas e com propensão
para encontrar defeitos, devemos agir de tal maneira que os outros não
tenham oportunidade de encontrar defeitos. Em Bombaim, uma pessoa narrou-me
um incidente relevante. Viram um devoto comer num restaurante cujo alimento
é preparado com cebola. O facto de ele estar a comer no restaurante já era
bastante mau, mas tornou-se ainda pior porque o alimento que comia tinha
cebola. Uma outra pessoa que também lá estava a comer, que se associava
minimamente com a ISKCON, desafiou o devoto, “Porque é que estás a comer
alimento com cebolas?” O devoto respondeu, “Mas tu também estás a fazer o
mesmo.” Ao que o homem respondeu. “É verdade. Eu conheço o padrão e não
consigo lá chegar mas tu apresentas-te como uma autoridade. Tu pregas aos
outros, “Nem cebola nem alhos.” Se tu os comes é diferente.” O ponto que
quero enfatizar aqui é o de, porque somos pregadores,  devemos actuar de uma
forma exemplar e não dar às pessoas oportunidade para criticarem-para o seu
próprio bem.

Contudo, o princípio de que quando o Senhor Nityananda entra numa taberna,
fá-lo com um propósito, deve ser compreendido. Por vezes, Nityananda Prabhu
ou o mestre espiritual têm uma misão a cumprir, e não permitem que sejam
obstruídos ou parados, por temor aos neófitos que podem criticar ou
interpretar erroneamente. Por exemplo, existe uma norma que proíbe os
brahmanas de atravessarem o oceano porque se o fizerem ficarão contaminados.
Nenhum acarya proeminente na nossa tradição, antes de Srila Prabhupada,
cruzou o oceano,  mas ele atravessou-o. E os brahmanas ortodoxos criticaram.
Eles chegaram a criticar Srila Prabhupada. Mesmo nos dias de hoje, os pandas
do templo de Jagannatha, em Puri, por vezes proíbem os devotos da ISKCON,
mesmo os que são de origem indiana, entrarem no templo. Dizem eles que, por
se terem associado com mlecchas e yavanas de fora da India-apesar de serem
Hindus de origem indiana-não podem entrar, porque ficaram contaminados
devido à associação.

O acarya não pode parar a sua missão para agradar às pessoas invejosas ou
rigidas-ou mesmo aos devotos neófitos que não podem compreender ou apreciar
o que ele está a fazer. Portanto, embora actuemos de uma forma exemplar-para
darmos um bom exemplo para que os outros sigam,e para que não tenham
possibilidade de criticar-quando se trata da nossa missão ou serviço,  temos
que continuar,  ainda que por vezes de  maneiras não muito ortodoxas. Como
Srila Prabhupada costumava dizer, “Os cães ladram mas a caravana passa.”
Temos que continuar. Deixem os cães ladrar. Não importa. Vamos continuar
para a frente.  Adoptamos essa attitude não com o intuito de gratificar os
sentidos mas por uma causa superior.

Numa certa altura, respondendo uma questão colocada por mim, Srila
Prabhupada deu o exemplo de Govinda, o servente pessoal de Caitanya
Mahaprabhu em Puri. Por norma, depois de almoçar, Caitanya Mahaprabhu tinha
o costume de se deitar e Govinda aproximava-se para dar massagens às Suas
pernas; depois,  Govinda voltava para aceitar os remanescentes de alimento
deixados por Ele. Uma vez, enquanto o Senhor descansava,  bloqueou a entrada
para o quarto e Govinda ficou sem possibilidade de dar massagens ao Senhor a
não ser que passasse por cima do Senhor. Passado algum tempo, quando
Mahaprabhu acordou, viu Govinda ainda ali sentado e perguntou-lhe, “Porque é
que ficaste aqui tanto tempo? Porque não aceitaste a prasada?” Govinda
respondeu, “Estaveis deitado, bloqueando a porta,  e não consegui sair.” Sri
Caitanya Mahaprabhu perguntou, “Mas, como é que entraste no quarto?” Govinda
pensou, “Para servir ao Senhor pude passar por cima, mas por minha causa
não.” Srila Prabhupada concluiu, “Para servir podemos, algumas vezes,
transgredir uma norma mas não o fazemos para a nossa gratificação dos
sentidos.”

Numa ocasião especifica, podemos sacrificar um principio inferior por um
propósito superior, mas não devemos sacrificar nenhum principio, pequeno ou
grande,  para a nossa gratificação dos sentidos. Pela missão, pela causa,
pelo serviço, podemos. E se pensamos que alguém violou um  principio,
podemos ponderar que talvez tivesse sido por uma causa superior-e assim
abstemo-nos de encontrar defeitos e de criticar.

Hare Krsna.

Querem fazer alguma pergunta ou comentário?

Somaditya Chakraborty: O senhor explicou que temos dois tipos de deveres: Um
é o condicional, e o outro o constitucional. Por vezes, devido às nossas
actividades condicionais tais como trabalhar num emprego ou fazer outra
coisa qualquer, não conseguimos aceitar o que é favorável para o serviço
devocional nem rejeitar o que é desfavorável. Será que o nosso dever
condicional obstrui a nossa rendição a Krsna? Sabemos que aceitar coisas
favoráveis para o serviço devocional e rejeitar o que é desfavorável é parte
integrante da rendição a Krsna.

Giriraj Swami: Não te importas de te apresentares?

Somaditya Chakraborty: Sou o capitão de corveta Somaditya Chakraborty. Estou
na marinha indiana.

Giriraj Swami: Somaditya vem de Calcutá, essa cidade sagrada onde Srila
Prabhupada apareceu, onde Srila  Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura e Srila
Bhaktivinoda Thakura desapareceram, e onde os três caminharam, pregaram e
serviram.

Viver num barco signica, forçosamente, associação com não-devotos e comer
alimento confecionado numa cozinha que não tem padrão Vaisnava. Podemos
falar sobre aceitar o que é favorável e rejeitar o que é desfavorável e como
consequência rejeitar essa associação, rejeitar esse alimento e rejeitar
essa situação. Por outro lado, tens que ganhar a vida e de uma ou outra
maneira encontras-te nessa situação. Por vezes enveredamos por uma carreira
antes de conhecermos sobre a consciência de Krsna e só mais tarde realizamos
que essa carreira tem elementos que são desfavoráveis ao nosso
desenvolvimento espiritual. Para abandonar, ou não, um tipo particular de
trabalho, existem considerações práticas de tempo, lugar e circunstâncias.
Na minha primeira visita a Houston, um devoto muito bom, que ainda não era
iniciado, conduziu-me até ao aeroporto. Ele era dono de um motel e estava
preocupado porque os clientes que ficavam lá, quebravam os principios
regulativos. Ele não tinha restaurante nem vendia carne nem álcool. Mas os
clientes utilizavam o espaço para consumir álcool, carne e para fazer sexo
ilícito. No seu caso deixou aquela situação. Vendeu o motel e entrou no
negóco da joalharia. Claro está, que todo o esforço está coberto por algum
defeito, mas a joalharia é uma ocupação legal que não está directamente
ligada com actividades pecaminosas.

Por vezes, uma pessoa que se encontra numa posição inconveniente pode
pensar, “Estou neste trabalho. Para mim, seria muito dificil começar tudo de
novo noutro tipo de trabalho. Talvez seja melhor continuar a ganhar dinheiro
e depois retirar-me para Mayapur.” [risos] Assim que, é uma questão de saber
o que é mais favorável e o que é o menos desfavorável. Nessa situação em
particular pode ser que seja mais favorável continuar no trabalho, ganhar
bastante dinheiro, obter a reforma mais cedo e depois retirar-se para
Mayapur-e viajar por todo o mundo para pregar. Pode ser pior deixar o
trabalho, começar tudo de novo, esforçar-se árduamente, ficar na dúvida em
como conseguir dinheiro para cumprir com os compromissos e, como resultado,
ter que lutar árduamente o resto da vida para pagar as despesas.

Em principio, o que disseste é verdade-aceitar o que é favorável e rejeitar
o que é desfavorável-mas na prática talvez tenhamos que aceitar os
princípios mais importantes, que são favoráveis e negligenciar aqueles que,
apesar de serem favoráveis,  são menos importantes. Neste mundo, não existe
nenhuma situação que seja completamente favorável. Por exemplo, pregar é
favorável; a pregação é o melhor serviço. Mas para pregar temos que sair às
ruas  e nessa situação vemos cartazes publicitários com homens e mulheres e
outras coisas que são desfavoráveis. Mas se decidirmos, “Bem, eu não sairei
para as ruas porque nessa situação  terei que ver os cartazes publicitários
e isso pode ser desfavorável. Vou ficar aqui mesmo.”Com  essa atitude damos
mais importância a um principio inferior em contraposição a um superior. De
preferência, damos prioridade ao principio mais importante-pregar-mesmo que
seja às custas de principios menos importantes.
Paralelamente temos que avaliar realisticamente quanto risco podemos aceitar
para executar o principio mais elevado que é a pregação. Como Srila
Prabhupada disse, ” Devemos saber como capturar o peixe grande sem nos
molharmos.”

Contudo, os devotos aceitam riscos porque  a pregação é uma actividade muito
importante. Srila Prabhupada disse, “Quando pregamos, aceitamos riscos.”
Atravessar o oceano para vir para o Ocidente foi aceitar riscos. Cada vez
que empreendemos o esforço de sair às ruas para nos aproximarmos das pessoas
para pregar, aceitamos riscos mas isso é compulsório; caso contrário não
podemos pregar. Antes de comprarmos a propriedade de Juhu, quando tinhamos
um apartamento alugado em Warden Road, um dos discipulos de Srila
Prabhupada,  que tinha estado a servir aí,  foi pregar à África do Sul. A
seu devido tempo,  Srila Prabhupada recebeu noticias que o discipulo estava
a ficar enfraquecido devido à falta de associação. De acordo ao relatório,
haviam praias muito bonitas e bom clima na Africa do Sul, e o devoto passava
a maior parte do tempo nas praias. Quando Srila Prabhupada recebeu as
noticias ficou muito preocupado. Disse que sempre que enviava um pregador,
sentia ansiedade porque existia sempre  a possibilidade de o pregador cair.
Porém,  disse que a pregação é tão importante que o próprio Krsna vem ao
mundo material para pregar.

paritranaya sadhunam
vinasaya ca duskrtam
dharma-samsthapanarthaya
sambhavami yuge yuge

[O Senhor Krsna diz:] “Para libertar os piedosos e aniquilar os descrentes,
bem como para restabelecer os princípios da religião, Eu mesmo advenho,
milénio após milénio.” (Bg 4.8)

Se não enviarmos os nossos pregadores, a nossa missão-a missão de Krsna-não
será divulgada. As pessoas não terão a oportunidade de se tornarem
conscientes de Krsna. Prabhupada explicou que porque existem tanto riscos na
pregação, Krsna considera o pregador o Seu servente mais querido. Não existe
ninguém mais querido para Ele, nem sequer no futuro existirá um tão querido.
E Krsna garante, que no final , o pregador irá de volta a casa, de volta a
Deus. Essa é a instrução final de Krsna no Bhagavad-gita.

ya idam paramam guhyam
 mad-bhaktesv abhidhasyati
bhaktim mayi param krtva
 mam evaisyaty asamsayah

“Para aquele que explica aos devotos este segredo supremo, o serviço
devocional puro está garantido, e no final, ele voltará a Mim.” (Bg 18.68)

na ca tasman manusyesu
kascin me priya-krttamah
bhavita na ca me tasmad
anyah priyataro bhuvi

“Não há neste mundo servo que Me seja mais querido do que ele, nem nunca
haverá alguém mais querido.” (Bg 18.69)

E qual é “esse supremo segredo”? É o conhecimento mais confidencial de todo
o Bhagavad-gita:

man-mana bhava mad-bhakto
mad-yaji mam namaskuru
mam evaisyasi satyam te
pratijane priyo ‘si me

“Pensa sempre em Mim e torna-te Meu devoto. Adora-Me e oferece-Me
homenagens. Agindo assim, impreterivelmente virás a Mim. Eu prometo-te isto
porque és Meu amigo muito querido.”  (Bg 18.65)

sarva-dharman parityajya
mam ekam saranam vraja
aham tvam sarva-papebhyo
moksayisyami ma sucah

“Abandona toda as variedades  de religião e simplesmente rende-te a Mim.
Libertar-te-ei de todas as reações pecaminosas. Não temas.”  (Bg 18.66)

Tais instruções são as mais confidenciais. E Srila Prabhupada disse,
“Confidencial significa que as pessoas não gostam delas.”

Por isso aceitamos riscos quando pregamos. Quando pregamos não somos capazes
de seguir estritamente todas as regras e regulações. Por vezes,  nem sequer
conseguimos seguir a nossa dieta. Em casa conseguimos seguir a dieta, mas
por vezes,  quando pregamos, não a conseguimos seguir. Por vezes, pela
pregação, desviamo-nos da nossa dieta estrita mas fazêmo-lo-e dependemos de
Krsna. O que é mais favorável para o serviço devocional, o que satisfaz mais
a Krsna, é a consideração mais importante.

Mahaprabhu dasa: Compreendo a situação deste devoto e também compreendo que
um devoto, mesmo que cometa um erro, não deva ser criticado se está fixo no
serviço devocional. Essa é uma questão diferente. O assunto que quero
abordar relaciona-se com a pergunta do Prabhuji. Prahlada Maharaja afirma
que o que quer que tenhamos que obter, já está destinado. Para quê então
comprometer a nossa vida espiritual, que é a oportunidade que temos somente
nesta forma humana de vida-e que não está disponível noutra forma? A partir
do momento que entendemos o Gita, que nos involvemos com a consciência de
Krsna e que nos esforçamos para ser iniciados, porquê deveríamos comprometer
a nossa vida espiritual? Krsna providenciará. O que tenhamos que conseguir
já está predestinado. E Krsna promete, “Rende-te a Mim que Eu cuido de ti.”
Na me bhaktah pranasyati. Isso é rendição. Quando nos tornamos devotos,
Krsna toma conta de nós. Porque nos deveriamos  preocupar?

Giriraj Swami: Concordo. Primeiro, falaste do destino;  alcançamos o que já
está destinado. Mas talvez o seu destino seja o de tornar-se um capitão da
marinha indiana e ganhar o que lhe estão a dar lá. Até na cultura védica
existem ksatriyas. Outra consideração é que cada esforço está coberto com
alguma falha. Por vezes os ksatriyas saem para matar animais para praticarem
a sua técnica de arqueiros. Alguém tem que defender os cidadãos, a nação.
Ele está a fazê-lo.

saha-jam karma kaunteya
sa-dosam api na tyajet
sarvarambha hi dosena
dhumenagnir ivavrtah

“Todo o empenho está mesclado com algum defeito, assim como o fogo é coberto
pela fumaça. Por isso, ninguém deve abandonar o trabalho nascido de sua
natureza, ó filho de Kunti, mesmo que esse trabalho seja cheio de defeitos.”
(Bg 18.48)

No que se relaciona a Krsna cuidar dos Seus devotos, Ele cuida. Mas isso não
quer dizer que não tenhamos que ganhar a nossa vida. Tomemos por exemplo
alguém que tenha dinheiro suficiente para se reformar e mantenha o dinheiro
no banco, ou noutro investimento qualquer, e viva dos juros. Não precisa de
trabalhar. Está livre para servir a Krsna. Porém, alguém poderá questionar,
“Porque é que tens o dinheiro no banco e em poupanças? Deves entregá-lo à
consciência de Krsna que Krsna cuidará de ti.” Mas pedir a Krsna que cuide
de nós pode ser visto como aceitar serviço  de Krsna-não depender de Krsna
mas aceitar serviço d´Ele. O Bhagavad-gita explica que devemos trabalhar de
acordo às nossas capacidades e depender de Krsna para o resultado-não
devemos ficar inactivos e depender d´Ele. De todos os modos, o factor
principal é a consciência, a intenção, o sentimento de serviço.
Se compararmos com os tempos de outrora, viver agora debaixo de uma árvore e
depender da natureza ou da caridade, não é algo assim tão fácil. Contudo,
também é verdade que se o devoto é muito avançado e está sempre absorto em
consciência de Krsna sem desvios, Krsna cuida dele pessoalmente.

ananyas cintayanto mam
ye janah paryupasate
tesam nityabhiyuktanam
yoga-ksemam vahamy aham

“Mas aqueles que sempre Me adoram com devoção exclusiva, meditando na Minha
forma transcendental-para eles eu trago o que lhes falta e preservo o que
eles têm.” (Bg 9.22)

Mahaprabhu dasa: E se o nosso trabalho nos impede de seguir os quatro
principios reguladores?

Giriraj Swami: Isso é diferente. Se tivermos que vender carne ou bebidas
alcoólicas ou algo semelhante, devemos abandoná-las-como no caso do
proprietário do motel. Isso é verdade.

Nityananda dasa: Guru Maharaja, como  é que podemos minimizar ou diminuir o
sentimento de inveja?

Giriraj Swami: Certa vez, em Surat-a cidade santa de Surat onde Srila
Prabhupada e os seus devotos tiveram a melhor recepção-perguntei a Srila
Prabhupada sobre a inveja. Eu estava a sofrer devido à inveja e isso
perturbava-me, perturbava o meu canto e perturbava o meu relacionamento com
os devotos. Tinha por norma nunca fazer perguntas a Srila Prabhupada se eu
próprio as conseguia responder. A menos que tivesse meditado profundamente
sobre o tema e tivesse tentado obter a resposta por ouros meios-através da
introspeção, da leitura e da consulta com outros devotos-eu não perguntava.
Neste caso da inveja, não obtive nenhuma solução para me livrar dela. Podia
compreender que a inveja era prejudicial para mim, e queria
desenvencilhar-me dela mas não sabia como fazê-lo.

Por isso, fiz a pergunta a Srila Prabhupada: Primeiro ele disse, “Podes
pensar nalgumas razões para não se ser invejoso?” Eu pensei em muitas
razões. Perturbava o meu canto e os meus relacionamentos. Depois também
pensei que se Krsna é ilimitado e o Seu serviço é ilimitado-porquê deveria
ficar invejoso de alguém por ter um serviço particular? Não me vai tirar o
serviço porque o serviço a Krsna é ilimitado. Ele pode ter o seu serviço e
eu o meu. Porquê deveria estar invejoso? Portanto, quando Prabhupada
perguntou, “Podes pensar nalgumas razões para não se ser invejoso?” Eu
disse, “Sim.” Ele continuou, “Muito bem. Estar invejoso quer dizer não
gostar de alguém. Esse não-gostar deve ser dirigido contra os demónios que
criam tanta confusão no mundo. Deve ser dirigido para os não-devotos.”

O nosso problema é que dirigimos o não-gostar contra os devotos. Algumas
vezes escutamos as pessoas dizerem, “Se é assim que actua uma pessoa
consciente de Krsna, então, não quero ser consciente de Krsna.” [risos] Se
isso é o que significa ser um devoto, não quero ser um devoto.” É o oposto.
Porque interagimos mais com  os devotos, pode acontecer sermos magoados com
mais frequência pelos devotos e isso perturba-nos. Mas na prática, a
tendência de não gostar de alguém, de encontrar defeitos ou falar contra
alguém, deve ser direccionada contra os demónios, não contra os devotos. E
se sairmos mais às ruas para pregar, e verificarmos como é que são,
realmente, os não-devotos, apreciaremos mais os devotos. O procurar defeitos
entre devotos, a inveja entre os devotos, apesar de estar em qualquer parte,
é mais comum entre os neófitos que não fazem muita pregação. Mas quando
saímos para pregar e observamos como as pessoas são, apreciaremos mais os
devotos. Mas se estamos só entre devotos, podemos procurar esses defeitos
pequeninos.”Eles fizeram isto. Fizeram aquilo. Não fizeram isto. Não fizeram
aquilo.” Mas quando saímos e vemos como está o mundo e como são as pessoas,
quando voltarmos, apreciaremos os devotos.

Radha-carana dasa: Compreende-se que todas as qualidades têm a sua origem em
Krsna (janma-adi yasya yatah). Temos todas as qualidades de Krsna, e temos a
inveja. Quererá isso dizer que Krsna tem inveja?

Giriraj Swami: Krsna tem todas as qualidades que nós temos mas em quantidade
ilimitada e na perfeição. Portanto, Krsna também tem inveja. Dá-se o exemplo
no Néctar da Devoção que por vezes, quando os vaqueirinhos brincavam na
floresta, Krsna brincava num grupo e Balarama noutro. Quando a equipa de
Balarama derrotava a equipa de Krsna os rapazes queixavam-se, “Se até a
equipa de Balarama nos consegue derrotar, quem neste mundo é mais fraco que
nós?” Este é um exemplo de inveja no mundo espiritual.

Krsna manifesta diferentes tipos de personalidades e uma delas é
dhiroddhata. O Néctar da Devoção (Capítulo 23) afirma que uma pessoa que é
invejosa, orgulhosa, facilmente irritável, inquieta e enfatuada é chamada
dhiroddhata. A mesma passagem continua: “Tais qualidades eram visíveis no
carácter do Senhor Krsna porque, quando estava escrevendo uma carta a
Kalayavana, Krsna chamou-o rã pecaminosa. Em Sua carta Krsna aconselhou a
Kalavayana que tratasse imediatamente de encontrar um poço escuro para nele
viver, porque havia uma serpente negra chamada Krsna que estava muito
ansiosa por devorar todas as rãs pecaminosas dessa espécie. Krsna lembrou
Kalayavana que Ele (Krsna) podia reduzir todos os universos a cinzas pelo
simples facto de olhar para eles.”

“A declaração acima feita por Krsna parece ser, aparentemente, de natureza
invejosa; porém, conforme diferentes passatempos, lugares e ocasiões,
aceita-se esta qualidade como uma grande característica. Aceita-se que as
qualidades dhiroddhata de Krsna são notáveis porque Krsna usa-as apenas para
proteger os Seus devotos. Em outras palavras, até os traços indesejáveis
podem ser usados no intercâmbio do serviço devocional.”

Janardana dasa: Antes, quando o senhor estava aqui, havia mais poder
espiritual. Agora há menos poder espiritual. Porquê?

Giriraj Swami: Porque é que eu perdi o meu poder espiritual? [risos]

Janardana dasa: Exige-se a sua presença aqui-seis meses aqui e seis meses
lá. [aplausos] Enquanto esteve ausente as coisas deterioraram-se. Porquê?

Giriraj Swami: Darei uma resposta filosófica. No Bhagavad-gita (4.7) Krsna
diz,

yada yada hi dharmasya
glanir bhavati bharata
abhyutthanam adharmasya
tadatmanam srjamy aham

“Sempre e onde quer que haja um declínio na prática religiosa, ó descendente
de Bharata, e uma ascensão predominante da irreligião-nessa altura Eu
próprio descendo.”

Srila Prabhupada explicou que tudo neste mundo tem uma tendência a
deteriorar-se. Deu o exemplo da construção de uma casa; quando está nova é
muito bonita. Mas a seu devido tempo deteriora-se e eventualmente tem que
ser reconstruída. O mesmo fenómeno acontece com dharma. Apesar de Krsna vir
pessoalmente para estabelecer os principios religiosos
(dharma-samsthapanarthaya), é tal a natureza do mundo que tudo aqui se
deteriora. Existirá um declínio na prática religiosa, e Krsna virá novamente
para restabelecer dharma (dharma-samsthapanarthaya).

Janardana dasa: Quando voltará Maharaja? Passaram-se oito anos desde que
esteve aqui. Este é o seu templo. O templo de Radha-Rasabihari é seu,
Maharaja. Seis meses aqui e seis meses lá. Este é o meu humilde pedido,
Maharaja.

Giriraj Swami: Tentarei.

Kesava dasa: Existem nove formas de bhakti, serviço devocional. Se alguém
diz, “Alcançarei serviço devocional por executar uma delas” e não cantar,
isso é possivel?

Giriraj Swami: Boa pergunta. Existem nove tipos de serviço devocional, e
pode-se alcançar a perfeição por se ocupar num deles perfeitamente. O
Bhakti-rasamrta-sindhu (1.1.11) dá a definição básica de serviço devocional:

anyabhilasita-sunyam
jnana-karmady-anavrtam
anukulyena krsnanu-
silanam bhaktir uttama

Anusilanam significa que tem que ser continuo. Para a maior parte dos
devotos não é possivel a ocupação continua num só dos nove processos.
Maharaja Pariksit alcançou a perfeição por escutar. Ele sentou-se às margens
do Ganges e escutou o Srimad-Bhagavatam por sete dias consecutivos sem comer
nem dormir. Ele alcançou a perfeição. E nós, podemos fazer isso? Sukadeva
Gosvami alcançou a perfeição por recitar o Srimad-Bhagavatam. Ele recitou o
Srimad-Bhagavatam continuamente durante sete dias sem comer nem dormir. É
certo que se a pessoa for capaz de se ocupar continuamente e absorver-se num
só dos processos, pode alcançar a perfeição. Mas ele tem que se ocupar
continuamente, porque essa é a qualificação básica. E se não formos
capazes-alguns poderão ser-teremos que variar as nossas actividades, para
que possamos manter o interesse, para que possamos manter o nosso
entusiasmo. Por isso, Srila Prabhupada deu-nos um programa que inclui todos
os nove processos. Assistimos ao arati, recitamos orações-orações a Nrsimha,
orações a tulasi-regamos a planta tulasi. Todos estes, são diferentes
processos de serviço devocional. Cantamos Hare Krsna. Escutamos o
Srimad-Bhagavatam. Tomamos krsna-prasada. Devemos, por todos os meios,
permanecer ocupados em serviço devocional. Esse é o principio. Podemos
ocupar-nos em um, dois, três ou todos os nove processos. Geralmente
precisamos de variedade e Srila Prabhupada deu-nos um programa que inclui
todos os diferentes processos.

Ajay Jajodia: Um familiar perguntou-me, “Porque é que a tua familia está tão
apegada a ISKCON? O que é que existe de tão especial aí? Apesar de não me
sentir em posição de responder, expliquei-lhe que seguimos um principio que
foi ensinado por Srila Prabhupada. Então ela perguntou-me, “O que é que
existe de tão especial em Srila Prabhupada? Porque é que escolheram seguir
só a ele? Só consegui citar um verso do Srimad-Bhagavatam–tava kathamrtam
tapta-jivanam. É por isso que Srila Prabhupada é tão especial, porque
espalhou o hari-nama por todo o mundo. Isso foi tudo o que pude dizer. O que
é que existe realmente de tão especial em Prabhupada e na ISKCON?

Giriraj Swami: Penso que as tuas respostas foram perfeitas. A primeira
pergunta foi, “Porque é que a tua familia está tão apegada a ISKCON? O que é
que a ISKCON tem de especial? A resposta é Prabhupada. A segunda pergunta
foi, “O que é que existe de tão especial em Srila Prabhupada? E a resposta é
que ele espalhou a consciência de Krsna por todo o mundo. Krsna-sakti vina
nahe tara pravartana-a menos que se tenha poder especial dado por Krsna, não
se pode expandir o movimento de sankirtana por todo o mundo. Kali-kalera
dharma–krsna-nama-sankirtana-este movimento de sankirtana é o yuga-dharma
para a era actual. Deste a resposta correcta. Agora deves sair a pregar.
Passaste o exame. Estás qualificado.

Para sermos capazes de pregar de uma forma sustentada e influenciar
verdadeiramente os corações das pessoas, devemos cantar o santo nome e
seguir os principios reguladores. Caso contrário, não teremos o poder para
pregar. Pregar, não é uma actividade externa ou mundana. Requer força
espiritual. Consegue-se essa força, do cantar das dezasseis voltas, de
seguir os principios reguladores e da ocupação no serviço devocional.

Ajay Jajodia: Tento cantar, mas não consigo fazê-lo apropriadamente. A minha
mente está sempre distraída pelos meus problemas e por aquilo que me rodeia,
e fico sem ânimo.

Giriraj Swami: Mas se pregares, serás forçado a cantar atentamente. Srila
Prabhupada disse que o nosso serviço deve ser um desafio novo que nós,
entusiasticamente, aceitamos de bom grado; e para chegar a esse nivel, nós
cantamos e escutamos com muito entusiasmo e seguimos os princípios
reguladores. Neste momento, a nossa vida é muito confortável. Não importa se
cantamos com atenção ou sem ela. Vamos ter o nosso dal e capatis. Podemos
cantar ou não cantar as nossas voltas, porém, teremos o nosso dal e capatis.
Mas quando estamos na linha da frente a pregar, temos que estar em boa
condição espiritual. Pregar, é declarar guerra contra maya. Temos que estar
em boa forma. Caso contrário, seremos dominados pelas forças do opositor.
Pregar, é um estimulo para tornar-nos espiritualmente fortes.

Ajay Jajodia: Sou capaz de cantar melhor e de fazer todas as coisas melhor,
quando estou perto de si. Quando você está cá, venho regularmente ao templo.
Não haverá possibilidade de você passar mais tempo em Bombaim?

Giriraj Swami: Sim, há essa possibilidade.

Ramai Pandita dasa: Maharaja, saindo um pouco do tema, quando o nosso guru
maharaja está presente neste mundo fisico conseguimos saber se ele está
satisfeito ou não com o nosso serviço. Há sempre a possibilidade de nos
aproximarmos a ele para que nos aconselhe. E quando ele não está fisicamente
presente, como é que sabemos se ele está satisfeito ou não com o serviço, ou
com qualquer outra actividade que possamos estar a fazer?

Giriraj Swami: Existem duas maneiras. Se fores suficientemente puro, podes
saber,  no teu coração,  se ele está satisfeito ou não. Caso contrário,
podes aproximar-te aos devotos que tenham uma percepção daquilo que pode ou
não pode satisfazê-lo. Podes perguntar-lhes e eles dar-te-ão uma ideia se as
actividades dão ou não satisfação. Sadhu, sastra, e guru. Básicamente, tal
como Prabhupada, o teu guru maharaja quer que sejas consciente de Krsna e
divulgues a consciência de Krsna.

Ramai Pandita dasa: Mencionou que a inveja provoca a procura de defeitos,
procurar defeitos nos devotos. Será que devemos cultivar a arte de perdoar
os outros? Se começarmos a perdoar os outros, não precisamos de cair na
inveja nem na busca de defeitos.

Giriraj Swami: Sim. O perdão é de suma importância. É uma das qualidades de
um devoto-perdão (ksama). Não estavas presente quando tivemos a reunião com
os outros discipulos de Sua Santidade Sridhar Swami. Este mesmo tópico do
perdão surgiu. Não vou repetir a conversa na íntegra, mas a conclusão é que
devemos perdoar. Se não perdoamos, significa que temos algo no nosso coração
e se mantemos isso, perturbará a nossa consciência de Krsna. Também pode
perturbar a outra pessoa a quem nós não perdoamos. Causa angústia à outra
pessoa e a nós também. Na verdade, perturbar a outra pessoa incrementa o
nosso pesar. Temos que perdoar. Esta é a qualificação principal de um
brahmana.

ksamaya rocate laksmir
brahmi sauri yatha prabha
ksaminam asu bhagavams
tusyate harir isvarah

“O dever de um brahmana é o de cultivar a qualidade do perdão, que é tão
brilhante como o sol. A Supema Personalidade de Deus, Hari, fica satisfeito
com aqueles que sabem perdoar.” (SB 9.15.40)

O defeito principal de um brahmana é o orgulho, e a principal virtude é  o
perdão. Através de todo o Bhagavad-gita a qualidade do perdão é inaltecida.

Janardana dasa: Maharaja, o senhor deve estar cansado.

Giriraj Swami: Bem, isso faz lembrar-me de uma história. No episódio do
conflito para adquirir a terra de Juhu, alguns dos devotos responsáveis,
nesse tempo, cancelaram o contrato de compra e venda com o Mr. Nair. E
quando as noticias chegaram a Srila Prabhupada, ele disse, “Então, está tudo
perdido.” Passado algum tempo, enquanto Prabhupada estava em Hyderabad, Mr.
Nair concordou em ter uma reunião com ele. Pensando que Srila Prabhupada
poderia utilizar algum poder místico para convencê-lo a fazer algo contra o
seu próprio desejo, levou um sadhu com ele para anular os poderes de
Prabhupada. Estavam todos sentados no quarto de Prabhupada em conversa
amena, quando o sadhu se dirigiu a Prabhupada, “Swamiji, parece que está
cansado. Deve descansar. Podemos falar mais tarde.” Prabhupada respondeu, “É
verdade, estou muito cansado.” E todos sairam do quarto. Mas Prabhupada
sabia que o homem é que estava cansado e que por isso tinha feito a
pergunta. [risos] Uns minutos mais tarde, Prabhupada chamou Tamal Krishna
Goswami, “Quando alguém te perguntar se estás cansado,” disse Prabhupada,
“quer dizer que ele está cansado.” Então Prabhupada disse a Tamal Krishna
Goswami, “Chama o Mr. Nair. Deixa ficar o sadhu a dormir e traz o Nair.”
[risos] Ele veio com o Mr. Nair, e Prabhupada utilizou os seus poderes
misticos [risos], e Mr. Nair assinou o novo contrato. E aqui estamos nós.
Todas as glórias a Srila Prabhupada!
Gita Jayanti ki jaya!
Hare Krsna.

Anúncios

Written by nityananda108

Dezembro 7, 2008 às 11:35 pm

Publicado em Uncategorized

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: