Aulas de Giriraj Swami em Português

Ratha-Yatra 2008

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Ratha-Yatra

Palestra dada por Giriraj Swami

15 de Março, 2008

Dallas

 

Hoje, passearemos em procissão com o Senhor Jagannatha, Baladeva e Subhadra, cantaremos os santos nomes do Senhor e dançaremos para o Seu prazer. Vamos então ler do Sri Caitanya-caritamrta, Madhya-lila, Capítulo Treze: “A Dança Extática do Senhor no Ratha-yatra.”      

 

VERSO 1

 

sa jiyat krsna-caitanyah

 sri-rathagre nanarta yah

yenasij jagatam citram

 jagannatho ’pi vismitah

 

TRADUÇÃO

 

Que a Suprema Personalidade de Deus, Sri Krsna Caitanya, que dançou em frente ao carro de Sri Jagannatha, receba todas as glórias! Vendo a Sua dança, não apenas o universo inteiro ficou tomado de espanto, mas o próprio Senhor Jagannatha ficou muito maravilhado.

 

VERSO 2

 

jaya jaya sri-krsna-caitanya nityananda

jayadvaita-candra jaya gaura-bhakta-vrnda

 

TRADUÇÃO

 

Todas as glórias a Sri Krsna Caitanya e a Prabhu Nityananda! Todas as glórias a Advaitacandra! E todas as glórias aos devotos de Sri Caitanya Mahaprabhu!

 

VERSO 3

 

jaya srota-gana, suna, kari’ eka mana

ratha-yatraya nrtya prabhura parama mohana

 

TRADUÇÃO

 

Todas as glórias àqueles que ouvem o Sri Caitanyacaritamrta! Por favor, escutai a descrição da dança do Senhor Caitanya Mahaprabhu por ocasião do festival de Ratha-yatra. Sua dança é muito encantadora. Por favor, escutai sobre ela com muita atenção.

 

VERSO 23

 

panca-dasa dina isvara maha-laksmi lana

tanra sange krida kaila nibhrte vasiya

 

TRADUÇÃO

 

O Senhor permanecera por quinze dias num lugar recluso com a suprema deusa da fortuna e realizara Seus passatempos com ela.

 

SIGNIFICADO de Srila Prabhupada

 

ão à deusa da fortuna para partir.

 

 

VERSO 24

 

tanhara sammati lana bhakte sukha dite

rathe cadi’ bahira haila vihara karate

 

TRADUÇÃO

 

Pedindo permissão à deusa da fortuna, o Senhor saiu para passear no carro do Ratha e realizar Seus passatempos para o prazer dos devotos.

 

SIGNIFICADO

 

A este respeito, Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura comenta que, como um esposo ideal, o Senhor Jagannatha permaneceu quinze dias num lugar recluso com a Sua esposa, a suprema deusa da fortuna. Não obstante, o Senhor quis sair da reclusão para alegrar a Seus devotos. O Senhor diverte-Se de duas maneiras, conhecidas como svakiya e parakiya. O amor conjugal do Senhor na svakiyarasa relaciona-se aos princípios regulativos observados em Dvaraka. Lá, o Senhor é casado com muitas rainhas, porém, em Vrndavana, o amor conjugal do Senhor não é com as Suas esposas, mas com as Suas namoradas, as gopis. O amor conjugal com as gopis chama-se parakiyarasa. O Senhor Jagannatha deixa o lugar recluso, onde desfruta da companhia da suprema deusa da fortuna em svakiyarasa, e vai para Vrndavana, onde desfruta da parakiyarasa. Portanto, Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura lembra-nos que o prazer do Senhor em parakiyarasa é superior a Seu prazer em svakiyarasa.

 

No mundo material, parakiyarasa, ou romances amorosos com moças solteiras, é uma relação muito degradada, mas, no mundo espiritual, esta espécie de romance amororoso é considerada o desfrute supremo. No mundo material, tudo não passa de um reflexo do mundo espiritual, e, não obstante, um reflexo pervertido. Não podemos compreender os assuntos do mundo espiritual, tomando como base a nossa experiência no mundo material. Por isso, os académicos e polemistas mundanos interpretam mal os passatempos do Senhor com as gopis. Ninguém, a não ser aquele que é muito avançado em serviço devocional puro, deve discutir a parakiyarasa do mundo espiritual. Não se pode comparar a parakiyarasa do mundo espiritual com a do mundo material. Aquela é como ouro, e esta é como ferro. Por haver tamanha diferença entre as duas, na realidade, não há como compará-las. No entanto, pode-se facilmente distinguir o valor do ouro ao ver-se o valor do ferro. Aquele que têm o devido discernimento pode facilmente distinguir as actividades transcendentais do mundo espiritual das actividades materiais.

 

COMENTÁRIO dado por Giriraj Swami

 

Quinze dias antes do festival de Ratha-yatra em Puri, o Senhor Jagannatha é conduzido desde o interior do Seu templo até um balcão no topo de um edifício dentro do complexo, e aí é banhado à vista do público, numa cerimónia chamada Snana-yatra. Depois da cerimónia do banho, o Senhor retira-se para um lugar isolado, numa área do interior do templo, reservada à suprema deusa da fortuna. Durante quinze dias ela serve-O com grande amor e devoção e, depois desse periodo chamado anavasara, Ele deseja saír da reclusão para dar prazer aos Seus devotos. Com a permissão da deusa da fortuna, sai na procissão chamada Ratha-yatra.

 

O templo do Senhor Jagannatha em Nilacala é comparado a Dvaraka, onde o Senhor Krsna vive com as Suas esposas rainhas, e o templo de Sundaracala, chamado Gundica, em honra da esposa do rei Indradyumna, é considerado Vrndavana. Sri Caitanya Mahaprabhu, no Seu sentimento interno, é Srimati Radharani sentindo separação de Krsna quando Ele sai de Vrndavana para Mathura e Dvaraka. O sentimento que Sri Caitanya Mahaprabhu apresenta durante o Ratha-yatra, é o de Srimati Radharani querendo levar Krsna de volta a Vrndavana.

 

Em krsna-lila, depois de Krsna ter ido para Dvaraka e residido lá por alguns anos, houve um eclipse solar. Como se recomenda nos Vedas, muitas pessoas foram para Kuruksetra para se banharem. Os eclipses são considerados inauspiciosos e, para anular os seus maus efeitos, as pessoas submergem-se em águas sagradas e recitam os santos nomes do Senhor. Quando Krsna foi informado do eclipse decidiu, “Vamos a Kuruksetra pela ocasião do eclipse”—Kuruksetra é um lugar sagrado (kuruksetre dharmaksetre). Quando a noticia da ida de Krsna a Kuruksetra se espalhou, devotos de todo o mundo decidiram ir também—não para participar nos rituais do eclipse, mas para ver o Senhor Krsna. Portanto, devotos, jnanis, yogis, santos, sábios e reis de todas as partes da India, foram a Kuruksetra. Os residentes de Vrndavana também decidiram ir. Nanda Maharaja, Mãe Yasoda, os habitantes mais velhos de Vrndavana, os pastorinhos e as gopis jovens também foram.

 

O encontro de Krsna com a Sua mãe e pai de Vrndavana, depois de uma separação tão prolongada, foi muito emocional. Ele ficou tão afectado que nem sequer conseguia falar. Contudo, dentro de Seu coração, Ele estava muito ansioso por se encontrar com as gopis jovens. Eventualmente desculpou-Se para poder encontrar-Se com elas. Porém, quando se encontraram, Srimati Radharani e as gopis não puderam sentir o mesmo prazer que tinham experimentado com Ele em Vrndavana, porque lá não havia o rio Yamuna, nem a floresta de Vrndavana, nem a colina de Govardhana. Ao invés do zumbir das abelhas e o chilrear dos pássaros, haviam os sons dos cavalos, dos elefantes e das quadrigas em movimento. Em vez de Krsna estar vestido com o Seu dhoti amarelo (pitambara), com a pena de pavão real no Seu cabelo e a flauta na Sua mão, estava vestido como um principe real, acompanhado de guerreiros valorosos e rodeado de muita opulência. Apesar de serem o mesmo Krsna e a mesma Radharani, não podiam desfrutar da mesma felicidade. Portanto, Srimati Radharani quis levar Krsna de volta a Vrndavana para puderem saborear o mesmo êxtase que tinham desfrutado na Sua juventude.

 

O festival de Ratha-yatra, como executado por Sri Caitanya Mahaprabhu e Seus seguidores, é o intercâmbio emocional entre Srimati Radharani e o Senhor Krsna, no qual Srimati Radharani quer levar Krsna de volta a Vrndavana. Este é o sentimento interno de Sri Caitanya Mahaprabhu. Como explica o Sri Caitanyacaritamrta, o aparecimento de Sriman Mahaprabhu deve-se a duas razões. Internamente, quis experimentar o amor de Srimati Radharani por Krsna-a glória do amor d´Ela, as qualidades maravilhosas d´Ele, que só Ela saboreia através do Seu amor, e a felicidade que Ela sente no Seu amor. No fundo Ele quis propagar as glórias do amor de Srimati Radharani por Ele e quis pagar a dívida que tinha para com Ela. Externamente, desejou divulgar o yugadharma para Kali-yuga—harinamasankirtana.

 

Não devemos pensar que uma missão do Senhor é superior à outra. No plano absoluto, são iguais. Devido a que Krsna é absoluto, não existe diferença entre o Seu interior e exterior. Nas almas condicionadas, existe diferença entre a alma que está dentro e o corpo que está no exterior, porém, em Krsna, que é espírito absoluto (saccidanandavigraha), não existe diferença entre o Seu interior e exterior. De igual modo, na plataforma absoluta não existe diferença de valor entre as razões internas e externas da vinda do Senhor a este mundo.

 

O Senhor Jagannatha, como Krsna, quer reciprocar com o amor que Srimati Radharani sente por Ele, quer dar misericórdia a todos os Seus devotos e, na verdade, a todas as entidades vivas. Ambos os desejos realizam-se durante o Ratha-yatra. Geralmente os devotos vão ao templo para ver o Senhor, mas as pessoas em Kali-yuga são tão caídas que não têm tempo para ir à igreja ou ao templo-nem sequer têm inclinação. Portanto, o Senhor sai do templo para dar misericórdia aos Seus devotos e às almas caídas.

 

O Senhor manifesta-se de duas formas: uma é a deidade, o Senhor Jagannatha, e a outra é o santo nome, o harinamasankirtana. O Sri Caitanya-caritamrta afirma que o santo nome de Krsna, a deidade de Krsna e a forma original de Krsna são todos idênticos.

 

‘nama’, ‘vigraha’, ‘svarupa’—tina eka-rupa

tine ‘bheda’ nahi,—tina ‘cid-ananda-rupa’

 

“O santo nome do Senhor, a Sua forma e a Sua personalidade são todos idênticos. Não existe diferença entre eles. Porque todos são absolutos, eles são transcendentalmente bem aventurados.” (Cc Madhya 17.131)

 

No Ratha-yatra, o Senhor dá a Sua associação aos devotos bem como às almas condicionadas comuns, na forma da Deidade—o Senhor Jaganatha—e na forma do santo nome, o Hare Krsna mahamantrasendo ambos o próprio Senhor. O Senhor também dá a Sua associação na forma do Seu carro, e das cordas que puxam o carro porque, na plataforma absoluta, a parafernália do Senhor e o Senhor são idênticos.

 

Na época de Mahaprabhu, o rei de Orissa era Maharaja Prataparudra. Ele era um grande devoto, e muitos dos associados de Caitanya Mahaprabhu queriam induzir o Senhor Caitanya a encontrar-se com ele mas, porque Caitanya Mahaprabhu estava a desempenhar o papel de um sannyasi numa sociedade muito estrita, recusou o encontro com o rei. Ele escutou sobre as glórias do rei, mas disse: “Ainda assim, o rei tem uma falta: ele é um rei.” O próprio nome rei, sugere opulência material e gratificação dos sentidos. Sri Caitanya Mahaprabhu, sendo um sannyasi inserido naquela cultura, não queria associar-se com um rei. Ele não queria que a Sua reputação fosse manchada. Apesar disso, os devotos apelaram ao Senhor para que fosse misericordioso com o rei, porque sabiam o quão apegado estava ao Senhor Caitanya; ele estava preparado para abandonar o seu reino e viver como um mendigo, se não obtivesse a misericórdia de Sri Caitanya Mahaprabhu. Na corte do rei encontravam-se muitos associados íntimos de Caitanya Mahaprabhu. Sarvabhauma Battacarya era o sacerdote principal, ou conselheiro espiritual do rei Prataparudra, e Ramananda Raya era o governador do rei no Sul da India. O rei era tão amável e generoso, que dispensou Ramananda Raya do seu serviço como governador, e permitiu que ele fosse para Jagannatha Puri servir Caitanya Mahaprabhu. Estes devotos informaram Caitanya Mahaprabhu acerca das boas qualidades e do desejo intenso do rei de alcançar a Sua misericórdia. Ainda assim, apesar de Seu coração ter-se suavizado, Caitanya permaneceu inalterado. 

 

Finalmente, Nityananda Prabhu fez uma proposta. Sugeriu que Caitanya Mahaprabhu enviasse um pedaço de Sua roupa usada ao rei, para que este ficasse esperançoso de que Mahaprabhu, de facto, derramaria sobre ele a Sua misericórdia. Quando o rei recebeu a roupa, começou a adorá-la como se fosse exactamente o próprio Caitanya. Na plataforma absoluta, o Senhor e a Sua parafernália são idênticos. São adorados no mesmo nível. Na realidade, a adoração da parafernália e associados do Senhor, pode ser mais favorável que a adoração directa ao Senhor. O Senhor Siva disse a Parvati,

 

aradhananam sarvesam

 visnor aradhanam param

tasmat parataram devi

 tadiyanam samarcanam

 

“O Devi, de todos os tipos de adoração, a adoração ao Senhor Visnu é a melhor mas, superior à adoração ao Senhor Visnu, é a adoração a algo que pertença a Visnu.” (Padma Purana)

 

Assim, com muita felicidade, o rei recebeu a roupa e adorou-a como se fosse o próprio Caitanya Mahaprabhu.

 

Na plataforma absoluta, o carro de Ratha-yatra e as cordas do carro, sendo parafernália do Senhor, são adoráveis e, se as pessoas tocarem no carro ou nas cordas, beneficiam-se como se estivessem a tocar os pés de lótus da Deidade – o próprio Senhor. Portanto, o Senhor é extremamente magnânimo ao distribuir a Sua misericórdia durante o Ratha-yatra. Quando Ele sorri e derrama Seu olhar sobre Seus devotos e todas as almas, eles recebem a Sua misericórdia e amor mais sublimes.

 

O Ratha-yatra é um festival muito jubilante, porque o Senhor sai do Templo para dar o Seu darsana, a Sua audiência aos Seus devotos – para lhes dar a Sua misericórdia. Srila Prabhupada mencionou que este festival está carregado de emoção. Depois de uma longa separação, Srimati Radharani encontra-se com Krsna em Kuruksetra, e, ao não saborear a mesma felicidade, quer levá-lo de volta a Vrndavana.

 

Quando Sri Caitanya Mahaprabhu celebrava o festival de Ratha-yatra, recitava regularmente um verso de poesia mundana, cujo propósito ninguém podia entender; ninguém conseguia compreender o seu significado profundo. No verso, a amada dirige-se a seu amado, “Continuo a mesma pessoa desde que nos encontrámos na nossa juventude, e tu também és a mesma pessoa, mas onde está essa árvore à margem do rio, na qual nos divertíamos nas noites de luar? Quero voltar aí.”

 

yah kaumara-harah sa eva hi varas ta eva caitra-ksapas

 te conmilita-malati-surabhayah praudhah kadambanilah

sa caivasmi tathapi tatra surata-vyapara-lila-vidhau

 reva-rodhasi vetasi-taru-tale cetah samutkanthate

 

“Aquela mesma personalidade que cativou o meu coração durante a minha juventude é novamente o meu amo. Estas são as mesmas noites enluaradas do mês de Caitra. Há a mesma fragância de flores malati, e as mesmas brisas doces sopram da floresta de kadamba. Na nossa relação íntima, sou também a mesma amante, todavia, a minha mente não está feliz aqui. Anseio voltar àquele local às margens do rio Reva, ao pé da árvore Vetasi. É isto o que desejo.” (Padyavali 386, citado no Cc Madhya 13.121)

 

À excepção de Svarupa Damodara Gosvami, práticamente ninguém compreendia o significado desse verso. Entretanto, um ano, Rupa Gosvami participou no Ratha-yatra e ouviu o Senhor cantar o verso. Depois da procissão voltou para a sua residência e, numa folha de palmeira, escreveu o seu próprio verso explicando o original, prendeu-a no telhado da sua cabana, e foi tomar banho no mar.

 

Nessa altura, Sri Caitanya Mahaprabhu foi à cabana de Rupa Goswami para se encontrar com ele. Estas três personalidades importantes—Rupa Gosvami, Sanatana Gosvami, e Haridasa Thakura—não estavam autorizados a entrar no templo de Jagannatha. Haridasa Thakura nasceu numa familia muçulmana e Rupa Gosvami e Sanatana Gosvami serviram no governo de Nawab Hussain Shah, associando-se intimamente com os muçulmanos. Deste modo, todos eles eram considerados caídos—desqualificados. Assim sendo, Caitanya Mahaprabhu ia visitá-los diáriamente e, nesta ocasião, notou a folha de palmeira pendurada no telhado. Agarrou na folha e leu o verso de Rupa Gosvami—um verso muito bonito que descreve os sentimentos de Srimati Radharani ao encontrar-se com Krsna em Kuruksetra, baseando-se no verso poético que Mahaprabhu tinha recitado. Nele Srimati Radharani diz à Sua amiga, “Ele é o mesmo Krsna, e Eu sou a mesma Radha mas, sem Vrndavana, não podemos experimentar a mesma felicidade. Sinto um desejo muito grande em levá-Lo comigo para Vrndavana.”

 

priyah so ’yam krsnah saha-cari kuru-ksetra-militas

 tathaham sa radha tad idam ubhayoh sangama-sukham

tathapy antah-khelan-madhura-murali-pancama-juse

 mano me kalindi-pulina-vipinaya sprhayati

 

“Minha querida amiga, agora, neste campo de Kuruksetra, estou na presença do meu muito querido amigo Krsna. Agora que estamos juntos, continuo a mesma Radharani. Apesar de ser muito agradável, quero ir para as margens do Yamuna, perto das árvores da floresta que aí existe. Desejo escutar a vibração da Sua doce flauta, tocando a quinta nota, nessa floresta de Vrndavana.” (Padyavali 387, citado no Cc Madhya 1.76)

 

Sri Caitanya Mahaprabhu ficou espantado: “Como é que Rupa Gosvami pode entender o meu coração?” Mais tarde, Caitanya Mahaprabhu mostrou o verso a Svarupa Damodara Gosvami que, em Puri, era Seu secretário pessoal e associado muito íntimo. Svarupa Damodara compreendeu o significado desse verso aparentemente mundano, mas, para além dele, ninguém mais foi capaz de compreendê-lo, por isso manteve-o confidencial. O senhor Caitanya perguntou-lhe, “Como pode Rupa Goswami conhecer o meu coração?” Svarupa Damodara respondeu, “Ele deve ter sido agraciado de forma especial pela Sua misericórdia, de outra forma não lhe seria possível conhecer o Seu coração.”

 

Srila Prabhupada salienta, que recebeu uma benção semelhante de seu guru maharaja. Um ano, ele escreveu um ensaio muito bonito, na ocasião da cerimónia de Vyasapuja de seu guru maharaja e que leu nas instalações da Gaudiya Matha, juntamente com um poema que compôs apreciando seu guru maharaja.

 

O Absoluto é consciente

Vós haveis provado

Calamidade impessoal

Vós haveis rejeitado

 

Este verso está de acordo com o conceito que Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura estabeleceu para a sua missão de pregação. Assim como o Senhor Caitanya mostrou o verso de Rupa Gosvami a Svarupa Damodara Gosvami, também Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura mostrava o verso de Prabhupada aos seus associados mais íntimos: “Como pode ele compreender as minhas intenções?”

 

Assim, pela misericórdia de Srila Rupa Gosvami, o sentimento confidencial e interno de Sri Caitanya Mahaprabhu pela ocasião do Ratha-yatra foi revelado, e esta informação confidencial foi compilada e expandida por Srila Krsnadasa Kaviraja Gosvami no seu Caitanya-caritamrta. Pessoalmente, Kaviraja Gosvami não testemunhou as actividades de Mahaprabhu, mas escutou sobre elas mais tarde, enquanto residia em Vrndavana. Srila Raghunatha dasa Gosvami estava muito desapontado com a partida de Caitanya Mahaprabhu e da maior parte de Seus associados, por isso pensou, “Qual é o valor de viver em Puri sem Mahaprabhu e os Seus associados?” Portanto, ele decidiu ir para Vrndavana e cometer suicídio Vaisnava, ao atirar-se da colina de Govardhana. Contudo, antes de agir dessa maneira, ele quis oferecer os seus respeitos aos pés de lótus de Rupa e Sanatana, que, ao encontrarem-se com ele, pediram-lhe, “Não faças isso. É melhor que fiques connosco.” Eles aceitaram-no como seu irmão mais novo, como o terceiro irmão deles. “Porque estiveste com Caitanya Mahaprabhu em Jagannatha Puri, conheces tudo acerca das actividades posteriores do Senhor. Deves contá-las para nós.” Raghunatha dasa Gosvami concordou e, cada dia, discursava durante três horas sobre as actividades de Sri Caitanya Mahaprabhu em Puri—um dos devotos na audiência era Kaviraja Gosvami.

 

Tanto Svarupa Damodara Gosvami quanto Raghunatha dasa Gosvami, fizeram anotações enquanto permaneceram com Mahaprabhu. (Do mesmo modo, os assistentes pessoais de Srila Prabhupada também fizeram anotações e assim temos o Diário Transcendental de Hari Sauri, o Diário de TKG, e outras obras do género.) Portanto, Svarupa Damodara Gosvami e Raghunatha dasa Gosvami fizeram as suas anotações e Krsnadasa Kaviraja Gosvami ficou com elas. Baseado no que ele escutou de Raghunatha dasa Gosvami e aprendido dos diários e outras fontes de informação autorizadas, ele compilou o Sri Caitanya-caritamrta e revelou estes assuntos mais confidenciais sobre o sentimento interno de Sri Caitanya Mahaprabhu durante o Ratha-yatra.

 

Externamente, durante o Ratha-yatra, houve um harinamasankirtana espantoso. Vamos ler agora sobre isso, e assim ficaremos com uma ideia do que aconteceu, e talvez consigamos alguma inspiração para a nossa execução de harinamasankirtana.

 

VERSO 25

 

suksma sveta-balu pathe pulinera sama

dui dike tota, saba—yena vrndavana

 

TRADUÇÃO

 

A fina areia branca espalhada por todo o caminho assemelhava-se às margens do rio Yamuna e, em ambos os lados, os pequenos jardins pareciam-se com os de Vrndavana.

 

VERSO 26

 

rathe cadi’ jagannatha karila gamana

dui-parsve dekh’ cale anandita-mana

 

TRADUÇÃO

 

Enquanto o Senhor Jagannatha passeava no Seu carro e se deparava com o belo cenário, tanto à Sua direita quanto à Sua esquerda, a Sua mente enchia-se de prazer.

 

VERSO 27

 

Os puxadores do carro eram conhecidos como gaudas, e puxavam-no com muito prazer. Contudo, às vezes o carro ia muito depressa, e, às vezes, muito devagar.

 

COMENTÁRIO

 

No primeiro Ratha-yatra da ISKCON, celebrado em São Francisco com uma camioneta de caixa baixa a fazer de carro, o veículo teve alguns problemas, e avariou ao subir uma encosta. Os devotos ficaram sem saber se poderiam pô-lo a trabalhar de novo. Nessa altura Srila Prabhupada não pode participar no Ratha-yatra, porque estava doente e fazia a sua recuperação em Stinson Beach, nos arredores de São Francisco. Quando no dia seguinte, os devotos foram visitá-lo para lhe informarem sobre o Ratha-yatra, falaram-lhe sobre a avaria da camioneta. Srila Prabhupada afirmou, “Esse é um divertimento do Senhor Jagannatha. Aconteceu a mesma coisa quando o Senhor Caitanya participou no Ratha-yatra em Puri e, agora que o Ratha-yatra veio para o Ocidente, este divertimento do Senhor Jagannatha também veio.”

 

VERSOS 2830

 

Outras vezes, o carro ficava estancado e não se movia, embora fosse puxado muito vigorosamente. Portanto, a carruagem movia-se pela vontade do Senhor, e não pela força de alguma pessoa comum.

 

Como o carro estivesse parado, Sri Caitanya Mahaprabhu reuniu todos os Seus devotos e, com as Suas próprias mãos, decorou-os com guirlandas de flores e polpa de sândalo.

 

Ao receberem pessoalmente guirlandas e polpa de sândalo das mãos do próprio Sri Caitanya Mahaprabhu, Paramananda Puri e Brahmananda Bharati sentiram o seu prazer transcendental aumentar intensamente.

 

 

COMENTÁRIO

 

Eles eram considerados superiores a Sri Caitanya Mahaprabhu e Ele adorava-os e servia-os no mesmo nível que a Seu mestre espiritual.

 

VERSOS 3134

 

De maneira semelhante, ao sentirem o toque da mão transcendental de Sri Caitanya Mahaprabhu, Advaita Acarya e Nityananda Prabhu ficaram muito satisfeitos.

 

O Senhor também deu guirlandas e polpa de sândalo aos executantes do sankirtana, dos quais se destacavam Svarupa Damodara e Srivasa Thakura.

 

Havia, ao todo, quatro grupos de kirtana, perfazendo um total de vinte e quatro cantores. Em cada grupo, havia também dois tocadores de mrdanga, o que acrescentava mais oito pessoas àquele total.

 

Quando os quatro grupos estavam formados, Sri Caitanya Mahaprabhu, após analisar um pouco, dividiu os cantores.

 

COMENTÁRIO

 

Caitanya Mahaprabhu também era um organizador muito bom.

 

VERSOS 3537

 

Sri Caitanya Mahaprabhu ordenou que Nityananda Prabhu, Advaita Acarya, Haridasa Thakura e Vakresvara Pandita dançassem, cada um, num dos quatro grupos a que foram designados.

 

Svarupa Damodara foi escolhido como líder do primeiro grupo e deram-lhe cinco assistentes para responderem ao seu canto.

 

Os cinco que faziam coro ao canto de Svarupa Damodara eram Damodara Pandita, Narayana, Govinda Datta, Raghava Pandita e Sri Govindananda.

 

VERSO 38

 

advaitere nrtya karibare ajna dila

srivasa-pradhana ara sampradaya kaila

 

TRADUÇÃO

 

Advaita Acarya Prabhu recebeu ordem de dançar no primeiro grupo. Então, o Senhor formou outro grupo com Srivasa Thakura como líder.

 

SIGNIFICADO

 

No primeiro grupo, Damodara Svarupa foi apontado como o cantor líder, e os cantores que o acompanhariam eram Damodara Pandita, Narayana, Govinda Datta, Raghava Pandita e Govindananda. Sri Advaita Acarya foi apontado como dançarino. Formou-se o grupo seguinte, que tinha Srivasa Thakura como líder.

 

VERSOS 3954

 

Os cinco cantores que responderiam ao canto de Srivasa Thakura eram, Gangadasa, Haridasa, Sriman, Subhananda e Sri Rama Pandita.

 

Formou-se outro grupo, para o qual foram designados Vasudeva, Gopinatha e Murari. Todos estes cantavam na segunda voz, e Mukunda seria o cantor líder.

 

Duas outras pessoas, Srikanta e Vallabha Sena, juntaram-se como cantores acompanhantes. Neste grupo, Haridasa Thakura seria o dançarino.

 

O Senhor formou um outro grupo, designando Govinda Ghosa como líder. Neste grupo junior Haridasa, Visnudasa e Raghava seriam os cantores acompanhantes.

 

Dois irmãos chamados Madhava Ghosh e Vasudeva Ghosh, também se juntaram a este grupo como cantores acompanhantes. Vakresvara Pandita seria o dançarino deste grupo.

 

Na aldeia conhecida como Kulina-grama, havia um grupo de sankirtana, para o qual Ramananda e Satyaraja foram indicados como dançarinos.

 

Havia outro grupo, proveniente de Santipura, que era formado por Advaita Acarya. Acyutananda era o dançarino, e os demais componentes cantavam.

 

Formou-se outro grupo com as pessoas de Khanda. Elas cantavam num lugar diferente. Neste grupo, Narahari Prabhu e Raghunandana cantavam.

 

Quatro grupos cantavam e dançavam em frente ao Senhor Jagannatha, e em ambos os lados havia mais dois grupos. Outro vinha atrás.

 

Ao todo, havia sete grupos de sankirtana, e em cada grupo dois homens batiam tambores. Assim, tocavam-se quatorze tambores de uma só vez. O som era tonitruante, e todos os devotos ficaram loucos.

 

Todos os Vaisnavas reuniram-se, parecendo-se a nuvens agrupadas. Enquanto os devotos em êxtase cantavam os santos nomes, lágrimas caíam de seus olhos como torrentes de chuva.

 

Os três mundos foram inundados pela vibração sonora do sankirtana. Com efeito, a não ser pelo som e pelos instrumentos musicais do sankirtana, tudo o mais emudecera.

 

O Senhor Caitanya Mahaprabhu vagueava por todos os sete grupos, cantando o santo nome: “Hari, Hari!” Levantando os braços, Ele exclamava: “Todas as glórias ao Senhor Jagannatha!”

 

Então, o Senhor Caitanya Mahaprabhu demonstrou outro poder místico, realizando simultaneamente passatempos em todos os sete grupos.

 

Todos diziam: “O Senhor Caitanya Mahaprabhu está presente no meu grupo. Na verdade, Ele não está em mais nenhum outro lugar. Ele está a mostrar-nos a Sua misericórdia.”

 

Na realidade, ninguém podia entender a potência inconcebível do Senhor. Apenas os devotos mais íntimos, aqueles imersos em serviço devocional puro, podiam compreender.

 

COMENTÁRIO

 

Durante a dança da rasa, Sri Krsna também se expandiu para estar presente ao lado de cada gopi. Ele relacionou-se de uma forma tão afectuosa e pessoal com cada gopi, que cada uma delas pensava, “Krsna está comigo. Krsna não pode abandonar-me. Krsna está a favorecer-me.”

 

VERSOS 5559

 

O sankirtana agradou muito ao Senhor Jagannatha, e Ele manteve Seu carro parado num determinado local, só para assistir ao desempenho.

 

O rei Patraparudra também ficou admirado ao ver o sankirtana. Ficando sem acção, passou a sentir amor extático por Krsna.

 

Quando o rei informou a Kasi Misra sobre as glórias do Senhor, Kasi Misra respondeu. “Ó rei,a tua fortuna não conhece limites!”

 

Tanto o rei quanto Sarvabhauma Battacarya estavam a par das actividades do Senhor, mas nenhuma outra pessoa pode perceber as artimanhas do Senhor Caitanya Mahaprabhu.

 

Só alguém que tenha recebido a misericórdia do Senhor pode compreender. Sem a misericórdia do Senhor, nem mesmo os semideuses, encabeçados pelo Senhor Brahma, podem compreender.

 

VERSO 60

 

rajara tuccha seva dekhi’ prabhura tusta mana

sei ta’ prasade paila ‘rahasya-darsana’

 

TRADUÇÃO

 

Sri Caitanya Mahaprabhu ficou muito satisfeito ao ver o rei aceitar a tarefa subalterna de varrer a rua, e, por esta atitude humilde, o rei recebeu a misericórdia de Sri Caitanya Mahaprabhu. Por isso, ele pode observar o mistério das actividades de Sri Caitanya Mahaprabhu.

 

SIGNIFICADO

 

Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura descreve o mistério das actividades do Senhor. O Senhor Jagannatha, admirando-se de ver a dança e o canto transcendental de Sri Caitanya Mahaprabhu, parou o Seu carro só para assistir à dança. Então, o Senhor Caitanya Mahaprabhu dançou com tanto misticismo que agradou o Senhor Jagannatha. O espectador e o dançarino eram a mesma Pessoa Suprema, porém, o Senhor, sendo ao mesmo tempo um e muitos, manifestava a variedade de Seus passatempos. Este é o significado subjacente à Sua demonstração misteriosa. Pela misericórdia de Sri Caitanya Mahaprabhu, o rei pode compreender como ambos desfrutavam das actividades mútuas. Outra demonstração misteriosa foi a presença simultânea de Sri Caitanya Mahaprabhu nos sete grupos. Pela misericórdia de Sri Caitanya Mahaprabhu, o rei também pode compreender isto.

 

COMENTÁRIO

 

O rei estava ansioso por obter darsana do Senhor Caitanya mas devido à sua posição como rei, Caitanya Mahaprabhu recusou encontrar-se com ele. Entretanto, quando o rei prestou um serviço humilde ao Senhor Jagannatha varrendo a estrada diante d`Ele, o coração de Sri Caitanya Mahaprabhu suavizou-se, e outorgou-lhe uma misericórdia tão especial, que o rei foi capaz de aperceber-se das actividades confidenciais do Senhor, durante o Ratha-yatra. Poderemos pensar que o facto do rei ter limpo a estrada diante da Deidade foi algo insignificante, mas nesse tempo não era bem assim. Na verdade o rei foi criticado pela outra realeza: “Que classe de rei é ele?Está a varrer a estrada.” Mas o rei não dava importância à reputação mundana. Ele prestou, de uma forma sincera, serviço subalterno ao Senhor e, devido ao seu serviço humilde, o Senhor Caitanya, que não é diferente do Senhor Jagannatha, deu-lhe um pouco de misericórdia especial para que ele pudesse observar o mistério das actividades do Senhor.

 

VERSO 61

 

saksate na deya dekha, parokse ta’ daya

ke bujhite pare caitanya-candrera maya

 

TRADUÇÃO

 

Apesar de não ter conseguido uma entrevista com o Senhor, o rei recebeu, indirectamente, a misericórdia imotivada do Senhor. Quem pode entender a potência interna de Sri Caitanya Mahaprabhu?

 

SIGNIFICADO

 

Como Sri Caitanya Mahaprabhu estava a desempenhar o papel de um mestre mundial, Ele não concordou em ver o rei, pois o rei é uma pessoa mundana, interessada em dinheiro e mulheres. Na verdade a própria palavra “rei” dá a ideia de alguém que está sempre rodeado de dinheiro e mulheres. Como um sannyasi, Sri Caitanya Mahaprabhu temia tanto o dinheiro quanto as mulheres. A própria palavra “rei” é repugnante para quem pertence à ordem de vida renunciada. Sri Caitanya Mahaprabhu recusou-se a receber o rei mas, indirectamente, o rei foi capaz de entender as actividades misteriosas do Senhor, pela misericórdia imotivada do Senhor. As actividades do Senhor Caitanya Mahaprabhu foram manifestas, quer para O revelarem como a Suprema Personalidade de Deus, quer para O exporem como um devoto. Ambas as classes de actividades são misteriosas e entendidas, na sua essência, somente pelos devotos puros.

 

COMENTÁRIO

 

Nesta passagem, existem muitos assuntos confidenciais. Vasudeva Ghosa, um grande poeta e cantor entre os associados do Senhor (mencionado no verso 43), escreveu, jei gaura sei krsna sei jagannath: “Ele que é Gaura, é Ele que é Krsna, é Ele que é Jagannatha.” O Senhor Caitanya é Krsna, o Senhor Jagannatha é Krsna, e Krsna é Krsna, mas assumem diferentes formas e diferentes sentimentos para reciprocarem em divertimentos amorosos-inclusive entre si. O rei Prataparudra, pela misericórdia de Sri Caitanya Mahaprabhu, pode ver e compreender tudo isso. Ele também pode ver Sri Caitanya Mahaprabhu expandir-se em formas múltiplas e movimentar-se entre os sete grupos de kirtana. Nem todos puderam ter essa percepção. Portanto, essa também foi uma misericórdia especial que lhe foi outorgada. Mas, a maior misericórdia, aquela que o rei há muito desejava, foi-lhe dada mais tarde, quando o Senhor Caitanya foi descansar num jardim próximo. Nessa altura, Caitanya Mahaprabhu deu-lhe uma audiência pessoal (darsana). Ele abraçou o rei e juntos choraram em amor extático.

 

Quando chegaram a Balagandi, os carros pararam por algum tempo, para permitir aos devotos oferecerem alimento (bhoga) ao Senhor Jagannatha. Nessa altura Sri Caitanya Mahaprabhu e os Seus seguidores, exautos de tanto dançar, foram relaxar num jardim próximo. Nesse momento, o rei, desfazendo-se da vestimenta real, vestiu-se como um vaisnava. Entrou no jardim, começou a massajar as pernas do Senhor com muita perícia- e a recitar para Ele o Gopigita, o trigésimo primeiro capítulo do Décimo Canto, “As Gopis´ Canções de Separação por Krsna,” que serviu para aumentar o sentimento que Sri Caitanya Mahaprabhu trazia do Ratha-yatra. Caitanya Mahaprabhu já estava muito feliz mas, quando escutou o rei recitar o Gopigita, ficou extremamente maravilhado dizendo repetidamente “Continua a recitar. Continua a recitar.” Quando o rei chegou ao verso que começa com tava kathamrtam, Sri Caitanya Mahaprabhu, como se não soubesse quem era o rei, levantou-se em amor extático e abraçou-o. Extraindo uma frase do verso, Ele exclamou, “Tu és o mais magnânimo! Tu és o mais magnânimo!

 

tava kathamrtam tapta-jivanam

 kavibhir iditam kalmasapaham

sravana-mangalam srimad-atatam

 bhuvi grnanti ye bhurida janah

 

“Meu Senhor, o néctar de Vossas palavras e as descrições de Vossas actividades são a vida e a alma daqueles que vivem aflitos neste mundo material. Personalidades gloriosas transmitem estas narrações, as quais erradicam todas as reacções pecaminosas. Quem quer que ouça estas narrações, que são difundidas por todo o mundo e são cheias de poder espiritual, alcança toda a boa fortuna. Aqueles que propagam a mensagem de Deus decerto que são os trabalhadores mais magnânimos para o bem-estar de todos os seres vivos.” (SB 10.31.9, citado no Cc Madhya 14.13)

 

Sri Caitanya Mahaprabhu, ficou tão sensibilizado pelo serviço excelente e humilde do rei, que lhe deu a Sua misericórdia—a Sua audiência pessoal—mas manteve a integridade do sannyasadharma praticado nesses tempos.

 

Essa é a misericórdia do guru e de Krsna. Podemos ver Caitanya Mahaprabhu como o guru e o Senhor Jagannatha como Krsna. Tal como Srila Prabhupada disse, pela misericórdia mútua de guru e de Krsna podemos tornar-nos completamente exitosos em serviço devocional. Devido ao serviço humilde e subalterno do rei ao Senhor Jagannatha, o Senhor Caitanya também ficou satisfeito com ele, e, pela misericórdia mútua de guru e Krsna, o serviço devocional do rei alcançou o êxito. Portanto, podemos depreender como é que através do serviço humilde podemos satisfazer o mestre espiritual e o Senhor e, como através da misericórdia deles, podemos alcançar o sucesso em consciência de Krsna.

 

No serviço devocional não existe diferença entre superior e inferior, porque todo o serviço é absoluto. Na plataforma absoluta não existe diferença entre limpar a casa de banho utilizada pelos devotos e limpar a parafernália das Deidades. Se alguém prestar serviço com atitude humilde (trnad api sunicena), sentindo-se humilde e caído, o Senhor ficará predisposto para lhe dar misericórdia. Como diz o ditado “Aqueles que se glorificam serão humilhados, e aqueles que se humilham serão glorificados.” Esta é uma grande lição a ser aprendida dos divertimentos de Sri Caitanya Mahaprabhu com o Senhor Jagannatha no Ratha-yatra.

 

Para concluir este capitulo do Sri Caitanya-caritamrta, Srila Krsnadasa Kaviraja Gosvami cita um verso do Caitanyastaka de Srila Rupa Gosvami (7):

 

ratharudhasyarad adhipadavi nilacala-pater

 adabhra-premormi-sphurita-natanollasa-vivasah

sa-harsam gayadbhih parivrta-tanur vaisnava-janaih

 sa caitanyah kim me punar api drsor yasyati padam

 

“Sri Caitanya Mahaprabhu dançou ao longo da estrada principal em grande êxtase perante o Senhor Jagannatha, o Senhor de Nilacala, que estava sentado em Seu carro. Arrebatado em bem-aventurança transcendental produzida pela dança e rodeado por vaisnavas que cantavam os santos nomes, Ele manifestou ondas de amor extático por Deus. Quando é que Sri Caitanya Mahaprabhu aparecerá novamente diante de minha visão?” (Cc Madhya 13.207)

 

E ele abençoa os seus leitores e ouvintes:

 

iha yei sune sei sri-caitanya paya

sudrdha visvasa-saha prema-bhakti haya

 

“Quem quer que ouça esta descrição do festival dos carros terá acesso a Sri Caitanya Mahaprabhu, e atingirá o estado elevado pelo qual se ganha firme convicção no serviço devocional e se desenvolve amor por Deus.” (Cc Madhya 13.208)

 

Hare Krsna.

 

Srila Prabhupada ki jaya!

Sri Jagannatha Ratha-yatra ki jaya!

Sri Caitanya Mahaprabhu ki jaya!

Gaura-bhakta-vrnda ki jaya!

Nitai-gaura-premanande hari-haribol!

 

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Written by nityananda108

Agosto 5, 2008 às 1:11 pm

Publicado em Uncategorized

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