Aulas de Giriraj Swami em Português

Dia de Aparecimento de Gadhadhara Pandita

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Dia de Aparecimento de Gadadhara Pandita

Uma palestra dada por Giriraja Swami

17 de Abril de 2007

Dallas

 

 

Hoje comemoramos a auspiciosa ocasião do dia de aparecimento de Sri Gadhadara Pandita. Como muitos de vós sabeis, o Senhor Caitanya é o próprio Krsna que apareceu como Seu próprio devoto. Ele é Krsna, porém tem o brilho corpóreo e o estado emocional de Srimati Radharani. Existem diferentes razões para o Seu aparecimento. A razão interna para o aparecimento do Senhor Caitanya tem a ver com o facto de Krsna querer experimentar a glória do amor que Srimati Radharani sente por Ele; as  Suas qualidades maravilhosas, que só Radharani pode experimentar através do Seu amor por Ele, e a felicidade que Radha sente quando experimenta a doçura do amor de Krsna por Ela—somente Radharani pode experimentar estas emoções.

A razão externa (que em nada é menos significativa) tem a ver com a propagação do yuga-dharma, o método recomendado para a auto-realização em cada era (yuga) específica.

Quatro associados principais descendem com o Senhor para acompanhá-Lo nos Seus divertimentos—Nityananda Prabhu, Advaita Prabhu, Srivasa Thakura, e Gadadhara Pandita. Juntos, com Sri Caitanya Mahaprabhu, formam o Panca-tattva. No Sri Caitanya-caritamrta (Adi 1.14) o autor oferece os seus respeitos a todos os cinco:

 

panca-tattvatmakam krsnam

bhakta-rupa-svarupakam

bhaktavataram bhaktakhyam

namami bhakta-saktikam

 

“Ofereço as minhas reverências ao Supremo Senhor, Krsna, que não é diferente de Seus aspectos como devoto, encarnação devocional, manifestação devocional, devoto puro e energia devocional.”

Krsna apareceu na forma de um devoto (bhakta-rupa), como Sri Caitanya Mahaprabhu; apareceu como a expansão de um devoto (sva-rupakam), como Nityananda Prabhu; apareceu como a encarnação de um devoto (bhakta-avataram), como Advaita Prabhu; apareceu como um devoto (bhakta) como Srivasa Thakura; e apareceu como a energia devocional, que inspira o devoto (bhakta-saktikam), como Gadadhara Pandita. Juntos, vieram propagar o harinam-sankirtan: o yuga-dharma da era actual.

Agora encontramo-nos em  Kali-yuga, a pior era. Apesar de Kali-yuga ser a pior, dá-nos a melhor oportunidade para realizar Deus através do cantar dos santos nomes. No final do Srimad-Bhagavatam, Sri Sukadeva Gosvami diz, kaler dosha- nide rajann: esta Kali-yuga é um oceano de faltas. Um oceano—não se pode medir a largura e o comprimento de um oceano. Asti hy eko mahan guna: mas dentro da Kali-yuga existe uma grande oportunidade. Qual é ela? Kirtanad eva krsnasya mukta-sangah param vrajet: por cantar os santos nomes de Krsna, a pessoa liberta—e da associação material e alcança a suprema meta da vida.

Sanga—associação. Sanga sanjayate kamah. O desejo deriva da associação. Geralmente, neste mundo material, as pessoas estão associadas com os três modos da natureza material: sattva-guna, rajo-guna, e tamo-guna. Devido à sua associação com os três modos elas desenvolvem corpos materiais e mentalidades influenciadas pelos mesmos modos. É muito dificil superar a influência de maya, que é formada por estes três modos:

 

daivi hi esa guna-mayi

mama maya duratyaya

mam eva ye prapadayante

mayam etam taranti te

 

No Bhagavad-gita ( 7.14 ) o Senhor Krsna diz que esta natureza material, que consiste dos três modos, é muito dificil de superar, mas, aquele que se rende a Ele, pode facilmente superá—la e libertar—se  da influência destes modos.

O Senhor Caitanya e  Seus associados do Panca-tattva, vieram saborear e distribuir amor a Deus. Vieram para saborear os santos nomes de Krsna e para distribuir os santos nomes de Krsna. No Sri Caitanya-caritamrta descreve-se que o armazém de amor a Deus tinha permanecido fechado, mas os membros do Panca-tattva quebraram a fechadura, assaltaram o armazém, comeram a mercadoria e ficaram intoxicados com amor a Deus. Entretanto, eles não quiseram desfrutar da mercadoria sozinhos: também a quiseram desfrutar com os outros; essa  era a vida deles—saborear o amor extático a Deus, e distribuí-lo.

O principal método pelo qual eles distribuíram amor a Deus, foi o cantar dos santos nomes de Deus, particularmente o maha-mantra: Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare/ Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. Os membros do Panca-tattva ficavam tão intoxicados com o cantar e dançar, que não sabiam se era de dia ou de noite. Certo dia, Nityananda Prabhu liderava um grupo de devotos desde Puri que, no caminho, cantavam e bailavam constantemente. Tentavam voltar à Bengala mas Nityananda Prabhu e os outros estavam tão intoxicados com amor a Deus, que não sabiam que direcção seguir. Seguiam uma direcção e, dias mais tarde, apercebiam-se que não sabiam que caminho tinham seguido. Então pediam a alguém que os orientasse no caminho certo. De novo dias se passavam a cantar e a bailar . . . Eles nem sequer comiam nem dormiam e, passado algum tempo, davam-se conta que, de novo, não sabiam onde estavam. Este era o nível elevado do seu kirtana em amor extático a Deus.

Portanto, isso era o que eles saboreavam e queriam distribuir. De igual modo, isso é o que eles querem que nós aceitemos: o grande presente do santo nome, o grande tesouro de amor a Deus. Golokera prema-dhana, hari-nama-sankirtana: o grande tesouro do amor a Deus, desceu de Goloka Vrndavana, o mundo espiritual, na forma do canto congregacional do santo nome. O santo nome não é uma vibração sonora material. O nome de Krsna é o proprio Krsna. É completamente espiritual.

 

nama cintamanih krsnas

caitanya-rasa-vigraha

purnah suddho nitya-mukto

’bhinnatvan nama-naminoh

 

Nama cintamanih krsnas: o santo nome de Krsna é uma pedra filosofal transcendental que dá todas as bençãos espirituais. Caitanya-rasa-vigraha: é a forma de todas as doçuras transcendentais. É completo (purnah), puro (suddha), e eternamente liberado (nitya-muktah) da influencia de maya, ou seja, dos modos da natureza material. ’Bhinnatvan nama-naminoh: o santo nome de Krsna é, em todos os aspectos,  igual ao próprio Krsna.

Quando recitamos Hare Krsna estamos, em princípio, a associar-nos com Krsna. Srila Prabhupada explicou que o nome de uma substância e a própria substância são diferentes. Portanto, se estamos com sede  e recitamos “água, água, água, água,” o simples recitar “água, água,” não saciará a nossa sede, porque  a palavra água e a substância água são diferentes. Mas, no mundo espiritual, no mundo absoluto, o nome de uma substância e a própria substância são o mesmo. Quando cantamos “Hare Krsna, Hare Krsna,” Krsna está presente em pessoa na nossa língua. Grandes devotos que realizaram Krsna através do processo de recitar, não querem fazer nada mais, excepto recitar. Srila Rupa Gosvami orou, “Com uma língua e dois ouvidos, que posso eu recitar ou saborear? Se tivesse milhões de línguas e biliões de ouvidos então sim, poderia começar a recitar.”  Essa é a plataforma de saborear o santo nome, quando se é capaz de recitar puramente .

Desafortunadamente, não temos tal atracção. No segundo verso do Siksastaka de Caitanya Mahaprabhu, encontramos a palavra “durdaivam” que significa  infortúnio.  Somos desafortunados. Naturalmente, também somos afortunados, porque entrámos em contacto com Srila Prabhupada, que serviu o Panca-tattva ao executar a sua missão, viajando por todo o mundo e distribuindo o santo nome de Krsna. Somos afortunados, mas ao mesmo tempo não somos, pois não experimentamos amor extático quando recitamos, devido às ofensas que cometemos. O grande valor do santo nome pode ser experimentado somente quando recitamos sem ofensas.

Mas mesmo no estágio em que nos encontramos, o Panca-tattva ajuda-nos, pois não leva em consideração as ofensas. Eles são tão liberais e magnânimos que não levam em consideração qualquer ofensa. Assim, se a pessoa recita os santos nomes do Panca-tattva com entusiasmo, com absorção completa, sentir-se-à em êxtase; neste estado pode-se recitar os santos nomes do maha-mantra Hare Krsna sem cometer ofensas.

No entanto, temos de trabalhar. Temos de praticar. Tal como Srila Prabhupada afirmou, “ Recitar é fácil, mas a determinação para cantar não é tão fácil.” Temos de estar determinados a recitar com atenção, sem ofensas. Se somos capazes de recitar sem ofensas, obteremos o grande tesouro do amor a Deus. Como o Senhor Caitanya instruíu, o recitar é muito importante.

 

tara madhye sarva-srestha nama-sankirtana

niraparadhe nama laile paya prema-dhana

 

“Dos nove processos de serviço devocional, o mais importante é o recitar constante do santo nome do Senhor. Se se fizer isso, evitando os dez tipos de ofensas, será possível alcançar o mais valioso amor pela Suprema Personalidade de Deus.” (Cc Antya 4.71)

Existem dez ofensas mencionadas no Padma Purana. Srila Jiva Goswami explicou-as em detalhe no seu Bhakti-sandarbha, e Srila Bhaktivinoda Thakura também as explicou, no seu Sri Hari-nama-cintamani. Nos livros de Srila Prabhupada encontramos, em vários lugares, explicações sobre as dez ofensas. A lista de ofensas que se encontra no Néctar da Devoção é lida regularmente nos templos, como parte do programa espiritual, depois do mangala-arati, no momento em que os devotos se preparam para recitar as suas voltas de japa; ler ou recitar esta lista, escutá-la e orar, ajuda-nos a evitar as ofensas. A última ofensa desta lista é “não ter fé completa no cantar dos santos nomes e manter apegos materiais, mesmo depois de escutar tantas instruções sobre o assunto.” Frequentemente, os devotos acrescentam: “Também é uma ofensa o recitar desatento.” De facto, encontramos na oitava ofensa as últimas palavras em sânscrito api pramada. Pramada significa “desatenção.” No Hari-nama-cintamani, Srila Bhaktivinoda Thakura considerou pramada como um item separado, constituindo a nona ofensa—o recitar desatento. Ele afirmou que ao recitar atentamente, todas as ofensas são destruídas, e que o recitar desatento permite que as restantes ofensas cresçam e floresçam.

Assim sendo, devemos fazer um esforço concentrado para nos livrar-mos desta ofensa (pramada), recitando e escutando com atenção; tal como Krsna diz no Bhagavad-gita (6.26):

 

yato yato niscalati

manas cancalam asthiram

tatas tato niyamyaitad

atmany eva vasam nayet

 

“Sempre que a mente divague, devido à sua natureza instável e inconstante, deve-se com certeza coíbi-la e trazê-la sobre o controle do eu.” Este é, portanto, o nosso dever.

Enquanto recitamos o santo nome, se observarmos as actividades da mente e pensarmos verdadeiramente no que está a acontecer—“porque é que a minha mente está sempre a vaguear? Em que pensa?” (existe uma lista tão vasta  de coisas em que pensamos que nem sequer dá para enumerar)—se pensarmos profundamente, “o que é que está a acontecer? Porque é que tenho todos estes pensamentos quando deveria estar a escutar o santo nome?” verificaremos (pelo menos essa é a minha experiência) que tudo se resume ao facto de pensarmos que somos os executores, os controladores, os proprietários, e os desfrutadores. Na verdade, o santo nome é Krsna, e Ele é o controlador, Ele é o proprietário e Ele é o desfrutador. Portanto rendamo-nos a Ele. Vamos render-nos ao santo nome, render-nos a Krsna na forma de som transcendental e vamos deixar que Ele controle.

     Essas duas horas, ou o tempo que for necessário enquanto recitamos as dezasseis voltas, é o nosso tempo com Krsna. Pelo menos nessas duas horas, não devemos ter nenhum outro pensamento excepto o de estar com Krsna, de nos associarmos com Krsna. Srila Prabhupada explicou que o recitar é uma oração a Radha e Krsna. O nome “Krsna” refere-se, naturalmente, a Krsna e “Hare” é uma forma de nos dirigirmos a Radha. Portanto Hare Krsna significa, “Oh Radha, Oh Krsna.” Quando chamamos pelos nomes das pessoas queremos atraír-lhes a atenção, e quando o conseguimos, elas podem perguntar, “Sim, que queres? Que posso fazer por ti?” Portanto, quando conseguimos a atenção de Radha e Krsna, através de recitar os Seus santos nomes, Hare Krsna, que é que vamos pedir? Um devoto puro pedirá somente uma coisa: serviço. “Quero servir-Vos. Por favor ocupem-me no Vosso serviço.” Essa é a nossa oração quando recitamos o santo nome.

Srila Bhaktivinoda Thakura escreveu muito sobre o Siksastaka e o santo nome. Ele explicou, no Sri Bhajana-rahasya, que as oito orações do Siksastaka correspondem aos oito pares de nomes no maha-mantra. Quando recitamos o maha-mantra Hare Krsna—Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare/ Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare—os versos do Siksastaka estão incluídos. Se realmente nos concentramos, podemos focalizar em cada par de nomes e compreender, que o verso correspondente do Siksastaka está incluído. Não devemos apressar-nos com as voltas simplesmente para chegar ao fim—“Oh meu Deus . . . bom . . . Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna . . . bom, uma menos, ainda faltam quinze.”  Não devemos ter pressa. Este é o nosso tempo com Krsna. Num sentido, é o momento mais importante do dia—o nosso tempo com Krsna e devemos entregar-nos a Krsna. Naturalmente que O servimos durante o dia—em principio vinte e quatro horas—mas esse é o nosso momento especial de nos associarmos directamente com Ele, directamente com o hari-nam.

Gopala Bhatta Prabhu, nosso irmão espiriual, é dono de uma grande empresa. Tem muitas responsabilidades e projectos mas ele disse-me que quando recita as suas voltas, tira os seus óculos e o relógio de pulso. Esse é o seu momento com Krsna e ele não pensa  noutra coisa. Naturalmente que ele é muito organizado. Faz grandes listas do que tem para fazer e, quando recita o santo nome, não tem que se preocupar com o facto de se lembrar ou esquecer de coisas planeadas. Esse é um defeito comum. É uma forma de desatenção—enquanto recitamos, elaboramos uma lista de coisas que temos para fazer dentro de nossas mentes.

Temos que escutar e, se o que temos que fazer é muito importante, vamos lembrar-nos mais tarde. Temos que abandonar todos os outros pensamentos enquanto recitamos o santo nome e devemos simplesmente escutar. Por vezes, durante esse processo purificatório da recitação, Krsna tenta dizer-nos algo, tenta lembrar-nos de alguma coisa e isso não sai de nossas mentes. Mesmo que tentemos não nos conseguimos esquecer do assunto. Nesse caso, será melhor anotarmos o que for necessário para que a nossa mente se pacifique. Por princípio, e salvo excepções, devemos deixar passar os pensamentos e escutar—tac chrnu—escutar o santo nome de Krsna.

Esta é a grande missão do Panca-tattva, propagar o canto puro do santo nome e, através dele, amor por Deus em extâse.

     Gadadhara Pandita, apareceu um ano depois de Sri Caitanya Mahaprabhu e, na Sua infância, eram inseparaveis. Estavam muito apegados um ao outro. Eles íam à mesma tola, ou escola, de Gangadasa Pandita e, como colegas de escola, desfrutavam de muitas actividades. O Senhor Caitanya, na Sua infancia, era chamado Nimai, porque tinha nascido debaixo de uma árvore de Nima. Nimai e Gadadhara íam juntos à escola em Ganganagara. Regressavam juntos a casa. Estudavam juntos. Banhavam-se juntos no Ganges. Eram inseparáveis. Não conseguíam estar  separados, mesmo que fosse por um só momento. Mais tarde, quando Sri Caitanya Mahaprabhu aceitou sannyasa e foi residir em Jaganatha Puri, Gadadhara Pandita foi com Ele. A maior parte dos associados de Mahaprabhu em Navadvipa permaneceram na Bengala; íam para Puri somente uma vez por ano, passar os quatro meses da estação das chuvas, participar no Ratha-yatra e ver Mahaprabhu. No entanto, Gadadhara Pandita não podia tolerar estar separado do Senhor e o Senhor não tolerava estar separado dele. Ele foi autorizado a permanecer com Mahaprabhu em Puri e aí ocuparam-se em divertimentos. Gadadhara Pandita aceitou ksetra-sannyasa, ou seja, fez um voto de nunca passar uma noite fora do dhama de Jaganatha Puri. Ele ocupou-se no serviço da deidade cujo nome é Tota Gopinatha.

     A primeira vez que Caitanya Mahaprabhu saíu de Puri para viajar a Vrndavana, Gadadhara Pandita seguiu—O, negligenciando o seu ksetra-sannyasa e o seu serviço a Gopinatha. Gadadhara desmaiou quando, finalmente, Caitanya Mahaprabhu o obrigou a regressar a Puri. Não conseguiu tolerar a separação. Também para Mahaprabhu a separação foi dificil, mas tolerou—a porque Ele queria que o voto e o serviço de Gadadhara se mantivessem intactos.

     Juntos em Puri, Gadadhara Pandita e Caitanya Mahaprabhu, partilharam muitas actividades íntimas e amorosas que estão descritas no Sri Caitanya-caritamrta. Regularmente, Sri Caitanya Mahaprabhu visitava Gadadhara Pandita para saborear a leitura que este fazia do Srimad-Bhagavatam. Diz-se que no final, Sri Caitanya Mahaprabhu entrou no templo de Tota Gopinatha e de lá nunca mais saiu. Entrou na divindade de Gopinatha para voltar às Suas diversões eternas.

Depois de Mahaprabhu ter ido embora, Gadadhara Pandita sentiu uma separação tão intensa, que o seu corpo começou a envelhecer muito rapidamente—apesar de ele nem sequer ter  quarenta e oito anos. A seu devido tempo ele nem mesmo conseguia esticar os seus braços para oferecer uma guirlanda à Divindade. Assim que, como escutámos, para facilitar o serviço de Gadadhara, a divindade sentou-se (ainda hoje podemos visitar Tota Gopinatha e ver a Divindade sentada). Passado pouco tempo, o próprio Gadadhara, entrou na Divindade para se juntar a Caitanya Mahaprabhu nas Suas diversões eternas.

O Sri Caitanya-caritamrta afirma que Gadadhara Pandita era uma encarnação da energia de prazer de Sri Krsna. O Sri Gaura-ganoddesa-dipika confirma que Srimati Radharani apareceu no gaura-lila como Gadadhara Pandita.

Quando o Senhor descende, não vem sózinho. Vem com os Seus associados eternos. Assim, quando o Senhor Krsna veio como Sri Krsna Caitanya  no papel de um devoto, os Seus associados eternos acompanharam—no, como devotos, para ajudá—Lo nas Suas actividades.

O Gaura-ganoddesa-dipika escrito por Kavi-karnapura, também ele um associado de Caitanya Mahaprabhu, explica que funções, os associados de Krsna em Krsna-lila, tiveram em gaura-lila.

O Sri Gaura-gannodesa-dipika (147—149) afirma: “Srimati Radharani, a personificação do amor puro por Krsna e a Rainha de Vrindavan, apareceu como Sri Gadadhara Pandita, que era muito querido pelo Senhor Caitanya. Srila Svarupa Damodara Gosvami também confirma que a deusa da fortuna, que apareceu em Vrndavana e era muito querida pelo Senhor Krsna, apareceu como Sri Gadadhara Pandita, que estava cheio de amor pelo Senhor Caitanya Mahaprabhu.”

     Gadadhara Pandita é uma encarnação de Srimati Radharani, a potência interna do Senhor  Krsna, mas, porque o Senhor Caitanya é Krsna actuando com o sentimento de Srimati Radharani, Gadadhara Pandita, apesar de ser Radharani, não actuou com o sentimento de Radharani—porque só pode existir uma Radharani. Gadadhara Pandita compreendeu, “este é o momento de Krsna. É a oportunidade de Krsna saborear o êxtase amoroso de Srimati Radharani, por isso vou manter o meu sentimento de Radha nos bastidores, para ajudá—Lo na Sua experiência de radha-bhava.”

Também está explicado que, se Gadadhara Pandita tivesse manifestado a natureza ou a aparência de Srimati Radharani, Krsna, que estava a tentar absorver-se no sentimento de Radharani, ter-se-ía sentido atraído pela Radha no Seu exterior, e não conseguiria manter o Seu sentimento interno como Radha. Portanto Gadadhara Pandita, para facilitar o Senhor Caitanya nas Suas actividades, executou o papel perfeito para complementar e ajudar o Senhor—o papel de um brahmana perfeito, muito gentil, muito submisso, muito erudito e muito sóbrio.

O Sri Caitanya-caritamrta (Antya 167, 163-164) conclui,

 

panditera saujanya, brahmanyata-guna

drdha prema-mudra loke karila khyapana

 

“Pelo seu comportamento gentil, as suas qualidades brahminicas, e o seu amor fixo por Sri Caitanya Mahaprabhu, Gadadhara Pandita é famoso em todo o mundo.”

 

panditera bhava-mudra kahana na yaya

“gadadhara-prana-natha” nama haila yaya

 

“Ninguém pode descrever as caracteristicas e o amor extático de Gadadhara Pandita. Portanto outro nome de Sri Caitanya Mahaprabhu é, Gadadhara- prananatha, ‘a vida e alma de Gadadhara Pandita.’

 

pandite prabhura prasada kahana na yaya

“gadaira  gauranga” bali’ yanre loke gaya

 

“Ninguém pode estimar quão misericordioso o Senhor é com Gadadhara Pandita mas, as pessoas conhecem o Senhor como Gadaira Gauranga ‘o Senhor Gauranga de Gadadhara Pandita.’ ”

Nesta ocasião auspiciosa, podemos orar a Gadadhara Pandita, um associado muito íntimo de Sri Caitanya Mahaprabhu, e membro do Panca-tattva, para que seja misericordioso connosco, para que nos ajude a saborear e a distribuir o néctar do santo nome, o néctar da consciência de Krsna, como serventes humildes dos seus serventes devotados.

 

Muito obrigado. Hare Krsna.

Sri Gadadhara Pandita ki jaya!

Sri Sri Panca-tattva ki jaya!

Srila Prabhupada ki jaya!

  

 

 

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Written by nityananda108

Agosto 5, 2008 às 12:37 pm

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