Aulas de Giriraj Swami em Português

Satam Prasangat – 2.ª parte

leave a comment »

 

 

 

 

Querem fazer algumas perguntas ou comentarios?

 

Sanatana-Dharma das: Qual é o segredo para apreciarmos os devotos?

 

Giriraj Swami: O segredo começa com o negativo que acompanha o positivo. O negativo é não criticar os devotos, não encontrar defeitos nos devotos. Temos a propensão de criticar os devotos de uma forma casual nas nossas conversas e não somente nas nossas conversas, mas também nas nossas mentes. Encontramos faltas e criticamo-los mental e verbalmente de uma forma muito casual. Isso perturba o coração. Isso causa uma perturbação no coração que nos traz dificuldades em escutar o santo nome com atenção, ou escutar os tópicos transcendentais com atenção. Assim, temos que abandonar o mau hábito de criticar os devotos de uma forma casual.

 

A mente–voltamos de novo à mente malévola–sempre nos arrasta de aqui para ali e o pior lugar para onde nos leva é para as faltas dos devotos. Temos que nos associar com devotos. Não podemos avançar sem a associação de devotos mas, quando nos associamos, existe sempre a possibilidade de encontrarmos faltas neles. Temos de parar essa tendência da mente–quer as faltas sejam reais ou não. Não devemos dar importancia à mente. Na realidade, o principal processo que Srila Prabhupada nos deu para controlar a mente, é ocupa-la no serviço devocional e negligenciá-la quando nos tenta atraír para quaquer actividade que não seja o serviço devocional.

 

Existe outro processo–bater na mente. Srila Bhaktisidhanta Sarasvati Thakura disse que, pela manhã, quando acordamos, devemos bater cem vezes na mente com sapatos, e à noite devemos bater nela cem vezes com um pau. Portanto esse é um processo: bater na mente até que se submeta. Outro processo é suplicar, orar à mente, tal como muitos de nossos acaryas fizeram: “Querida mente por favor, por favor, por favor, adora os pés de lotus de Krsna (bhajahu re mana,sri- nanda-nandana). Por favor refugia-te nos pés de lotus de Krsna que outorgam destemor (abhaya caranaravinda re). Tendo alcançado este nascimento humano tão dificil de conseguir, bondosamente atravessa este oceano de existência mundana na associação de devotos santos (durlabha manava-janama sat sangha taroho e bhava- sindhu re).”

 

O método dado por Srila Prabhupada foi o de negligenciar a mente. Estamos tão ocupados nas actividades positivas da consciencia de Krsna, que não nos sobra tempo para outras actividades, especialmente a pior actividade que é a ofensa (nama aparadha) de criticar devotos (sadhu ninda), ofender devotos. Temos que parar com isso. Devemos compreender que só nos prejudicará. Não vai ajudar-nos de nenhuma maneira. Só nos prejudicará. É subtil. Acontece constantemente. Mesmo se não falarmos abertamente contra os devotos, pensamentos negativos sobre eles surgem nas nossas mentes. Devemos ignorar tais pensamentos. Devemos ignorá-los. Não devemos tomá-los seriamente. Não levem a mente a sério. Permaneçam ocupados nas actividades positivas da consciência de Krsna. Recitem os santos nomes, sirvam e glorifiquem os devotos. Quando recitamos e ouvimos na associação de devotos puros e derivamos prazer no processo, apreciamos naturalmente os devotos, porque são eles que nos permitem aceder ao processo. Eles ajudam-nos na adquisição de muito prazer e satisfação no ouvir e recitar.

 

Depois, também existe a divulgação da mensagem. Podemos apreciar os devotos superficialmente, mas quando saímos a pregar–quando verdadeiramente nos encontramos com as almas condicionadas e pregamos (não só fazer amizade com elas, ou induzí-las a comprar algo . . . naturalmente isso tambem é bom, porque queremos que comprem coisas dos devotos, especialmente os livros de Prabhupada) tentando fazer com que as pessoas se rendam ao processo da consciência de Krsna e verificamos tanta oposição da parte delas, isso ajuda-nos a apreciar os devotos. Mesmo entre os assim chamados hindus piedosos, existem muitos não devotos impersonalistas e adoradores de semideuses. Poderemos verificar que existe uma diferença. De certo modo podem ser boas pessoas, mas existe uma diferença: não são devotos. Temos que nos confrontar com muçulmanos, cristãos, ateus, tanta gente… a pregação mantem-nos humildes e isso faz-nos apreciar mais os devotos. Sair às ruas ou fazer o porta-à-porta, casa após casa e visitar escritórios, mantém-nos humildes, especialmente se saímos a pregar . . . não somente a socializar com as pessoas. Isso mantem-nos humildes e ajuda-nos a apreciar os outros devotos.

 

Sundara Lal: A associação entre devotos pode variar de acordo com o nível de consciência dos mesmos. Qual é o do de verdadeira associação?

 

Giriraj Swami: Sim, varia de acordo à consciência da pessoa que está a receber a associação, e varia com o nível de consciência das pessoas que estão a dar associação. Naturalmente, queremos associação com os devotos mais avançados mas eles nem sempre estão disponíveis, nem por perto. Assim, podemos considerar: “o que é que está sob o meu controle?” Em certa medida podemos controlar a associação. Podemos, tanto quanto possível, procurar a associação com devotos mais avançados mas, mesmo que não estejam disponíveis, precisamos da associação dos devotos. Se não nos associamos com devotos, associar-nos-emos com não devotos, ou então com as nossas mentes. Assim que, queremos associar-nos com devotos, mas devemos fazê-lo com a consciência correcta. Vamos apreciar que os devotos estão a cantar os nomes de Krsna, que estão a falar sobre as glórias de Krsna, ou vamos centrar-nos nas suas faltas? Verdadeira associação significa que apreciamos a consciência de Krsna e não nos centramos nas faltas materiais, ou qualquer outra falta, seja ela verdadeira ou imaginária. Essa é a verdadeira associação. Quando escutamos com respeito, com apreciação, com gratidão e apreciamos os devotos com afecto, considera-se essa a verdadeira associação. Tanto quanto possível, devemos associar-nos com devotos mais avançados tomando como base essa atitude.

 

Assim que, temos que nos purificar para nos tornar-mos sinceros no nosso desejo de obter associação, de outro modo a mente . . . podemos estar sentados numa sala com o devoto mais avançado; e isso acontecia quando estavamos com Srila Prabhupada: estavamos sentados numa sala com o devoto mais avançado, mas a nossa mente leváva-nos para outro sítio. As nossas mentes podem levar-nos a qualquer lugar, porém compete-nos controlar a mente quando ela vagueia ou encontra faltas nos devotos. Podemos, isso sim, apreciar: “Oh! Este devoto está a falar sobre Krsna, ele está a repetir a mensagem do Srimad-Bhagavatam, a mensagem do Bhagavad-gita, a mensagem de Srila Prabhupada, a mensagem dos nossos acaryas. Sou tão afortunado por ter tal associação!”

 

Devemos ouvir com apreciação e então não fará grande diferença. Tal como Srila Prabhupada disse: “O pregador é uma pessoa comum, ele pode ser muito pobre, porém está a transmitir a mensagem de Krsna, que é a coisa mais valiosa.” Então, não nos importamos se essa pessoa comum, ou o carteiro, seja pobre, se ele nos entregar um milhão de rúpias: “Oh! Tu és só um instrumento, quem és tu? És só um carteiro. Quem és tu?” Não ! Nós apreciamos: “Oh! Trouxeste-me um cheque de um milhão de rúpias! Muito obrigado, fico-te muito grato. Muito obrigado.” Essa deve ser a nossa mentalidade e não a de julgar-mos o quão avançado ele é. Como é que nós, sendo neófitos, poderemos saber o quão avançado ele é? Podemos sim apreciar: “Oh! Ele está a dar-me o tesouro mais valioso, está a dar-me o santo nome de Krsna, está a dar-me a mensagem de Krsna do Srimad-Bhagavatam, do Bhagavad-gita, do Bhakti-rasamrta-sindhu, do Caitanya-caritamrta. É o trabalhador social mais magnânimo (bhuri-da janah ).”

 

tava kathamrtam tapta-jivanam

kavibhir iditam kalmasapaham

sravana-mangalam srimad-atatam

bhuvi grnanti ye bhurida janah

 

“Meu Senhor, o néctar de vossas palavras e as descrições de vossas actividades são a vida e a alma daqueles que estão sempre angustiados neste mundo material. Essas narrações são transmitidas por personalidades elevadas e irradicam todas as reacções pecaminosas. Quem escutar essas narrações alcança toda a boa fortuna. Essas narrações são divulgadas por todo o mundo e são plenas de poder espiritual. Aqueles que divulgam a mensagem de Deus são os trabalhadores sociais mais magnânimos.” (SB 10.31.9; Cc Madhya 14.13)

 

Tava kathamrtam bhuvi grnanti ye: Aqueles que distribuem a mensagem de Deus são os trabalhadores sociais mais magnânimos. “Oh! Ele é bhuri-da janah. Ele é o mais magnânimo. Está a dar o maior dos tesouros: Krsna–o néctar de krsna- katha. Ele é o meu maior bem-querente e amigo.” Essa deve ser a nossa atitude–não julgar: “Oh, ele não é tão avançado…” Tal como eu disse, será que temos a certeza de quão avançado ele é? Devemos estar receptivos a ver Krsna em toda a parte, alcançar Krsna sempre que possamos.

 

Prabhupada citava regularmente Canakya Pandita: “Deve-se extrair ouro mesmo de um lugar sujo ( visad apy amrtam grahyam amedhyad api kancanam/ nicad apy uttamam jnanam stri-ratnam duskulad api ). Devemos pensar: “Muito bem, talvez ele não seja um devoto perfeito, mas mesmo assim está a cantar o nome de Krsna, está a repetir a mensagem de Krsna. Vou centrar-me naquilo que ele tem de bom.” Essa é a qualificação de uma pessoa boa: não se centra nos aspectos negativos, mas sim nos positivos. Essa é a verdadeira associação com os devotos, baseada na apreciação. Essa atitude ajuda-nos, sem dúvida, a avançar. É mais fácil desenvolver essa atitude de apreciação quando estamos na associação de devotos mais maduros, mais puros, mas essa atitude tabém depende de nós, da nossa receptividade. Devemos estar muito receptivos a quem quer que recite o santo nome de Krsna e repita a mensagem transcendental de Krsna.

 

As escrituras recomendam que devemos associar-nos com devotos mais avançados, com devotos puros, por causa da qualidade do som que emana de suas bocas, e por causa da qualidade da devoção que preenche os seus corações. Tais devotos não têm falso ego quando falam. Quando falam, não têm motivação pessoal. Só querem glorificar Krsna e ajudar os outros a avançar em consciência de Krsna. Eles experimentam prazer e realização em consciência de Krsna e podem inspirar-nos.

 

Podemos orar da mesma forma que Prthu Maharaja:

 

sa uttamasloka mahan-mukta-cyuto

bhavat-padambhoja-sudha kananilah

smrtim punar vismrta-tattva-vartmanam

kuyoginam no vitaraty alam varaih

 

“Meu querido Senhor, sois glorificado com versos selectos pronunciados por grandes personalidades. Tal glorificação de Vossos pés de lótus é tal qual como partículas de açafrão. Quando a vibração transcendental das bocas de grandes devotos transportam o aroma do pó de açafrão de Vossos pés de lótus, a entidade viva em esquecimento lembra-se, gradualmente, da sua relação eterna convosco. Assim, os devotos chegam gradualmente à conclusão correcta sobre o valor da vida. Portanto, meu Senhor, não necessito de nenhuma outra benção além da oportunidade de escutar da boca de vosso devoto puro.” (SB 4.20.25)

 

Bhakta Hawoldar: Será que é possível para alguém fixar-se em krsna?

 

Giriraj Swami: Sim, esse é o objectivo da consciência de Krsna, mas, como já foi dito, existem diferentes níveis: sadhana-bhakti, bhava-bhakti e prema-bhakti. Em sadhana-bhakti ocupamos a mente e os sentidos no serviço a Krsna, mas porque a mente e os sentidos não estão completamente purificados existe a tendência de se agitarem. Verdadeiramente, temos que fazer um esforço para ocupá-los em Krsna. Não somos capazes de nos sentar por vinte e quatro horas seguidas e cantar os santos nomes como Haridasa Thakura; ainda assim devemos, de uma ou outra forma, manter-nos ocupados no serviço a Krsna–escutando, participando no programa da manhã, no programa do final de tarde, executando serviço, adorando a deidade, distribuindo livros, limpando o templo, pregando–de um ou outro modo, devemos manter-nos ocupados.

 

sa vai manah krsna-padaravindayor

vacamsi vaikuntha-gunanuvarnane

karau harer mandira-marjanadisu

srutim cakaracyuta-sat-kathodaye

 

mukunda-lingalaya-darsane drsau

tad-bhrtya-gatra-sparse`nga-sangamam

ghranam ca tat-pada-saroja-saurabhe

srimat-tulasya rasanam tad-arpite

 

padau hareh ksetra-padanusarpane

siro hrikesa-padabhivandane

kamam ca dasye na tu kama-kamyaya

yathottamasloka-janasraya ratih

 

“Maharaja Ambarisa ocupava sempre a sua mente em meditar nos pés de lótus do Senhor Krsna; suas palavras em descrever as glórias do Senhor; suas mãos em limpar o templo do Senhor e seus ouvidos em escutar as palavras proferidas por Krsna ou sobre Krsna. Ocupava os seus olhos em ver a deidade de Krsna, os templos de Krsna e as moradas de Krsna, tais como Mathura e Vrindavan. Ocupava o sentido do tacto em tocar os corpos dos devotos do Senhor, o sentido do olfacto em cheirar a fragrância da tulasi oferecida ao Senhor e ocupava a sua língua em saborear a prasadam do Senhor. Ocupava as suas pernas em peregrinação aos lugares sagrados e templos do Senhor, a sua cabeça em prostrar-se diante do Senhor, e todos os seus desejos em servir ao Senhor, vinte e quatro horas por dia. Realmente, Maharaja Ambarisa nunca desejou nada para a gratificação dos seus sentidos. Ocupou todos os sentidos em serviço devocional de várias maneiras relacionadas com o Senhor. Esta é a forma de incrementar o apego ao Senhor e ficar completamente livre de todos os desejos materiais.” (SB 9.24.18-20)

 

Mesmo que a nossa mente vagueie, pelo menos o nosso corpo estará ocupado. Quando a mente vaguear, tentamos trazê-la de volta, e deveremos ignorar qualquer disparate que ela nos diga. Continuamos com o nosso serviço e tentamos fixar a mente em Krsna.

 

Depois, quando avançamos até à plataforma de rati (apego ou atracção) naturalmente permaneceremos fixos, sem nos esforçarmos para isso. No ínicio, ao recitar os santos nomes, a nossa mente distrai-nos, leva-nos para outro lado. Nem sequer sabemos como ela faz isso, mas subitamente, somos levados por ela. Não podemos entender sequer como é que isso acontece. À medida que avançamos, o processo inverte-se, num instante contemplavamos algo e sem saber como, a mente leva-nos de volta a Krsna. Isso acontece progressivamente através dos diferentes estágios de sadhana-bhaktinistha, ruci, asakti–e quando alcançar-mos bhavabhakti, ou rati, a nossa atracção torna-se fixa.

 

Quando chegamos a prema-bhakti, as barreiras dissolvem-se: estamos plenamente absortos em amor puro por Deus–consciência de Krsna.

 

Concluindo, é possível fixarmo-nos em Krsna, mas no estágio de sadhana-bhakti (e aceitamos que estamos nessa plataforma), teremos de esforçar-nos nesse sentido. Devemos ter o cuidado de manter a mente sempre fixa em Krsna (sa vai manah krsna-padaravindayor) e de manter o corpo sempre ocupado no serviço a Krsna, como Maharaja Ambarisa. Certamente que isso é possível. O que Prabhupada nos deu não é impossível. Tal como ele disse: “Impossível é uma palavra do dicionário dos tolos.”

 

A verdadeira consciência de Krsna é possível e é prática. Temos de adoptar o processo seriamente e orar pela misericórdia de Krsna e das autoridades superiores. Devemos praticar de forma sincera e séria.

 

Hare Krsna.

 

 

 

 

Anúncios

Written by nityananda108

Agosto 5, 2008 às 11:15 am

Publicado em Uncategorized

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: